Reunião em Arborea

planes.jpg

O terceiro sol acabava de brilhar a pino. A noite demorava a cair em Arvandor , então muitas das suas criaturas descansava no quente e revigorante dia. O tempo, de natureza Caótica, costumava mudar repentinamente, então eles já sabiam como aproveitar os bons dias.

Ao lado de um grande lago, um grupo variado de humanoides, fadas e ents, juntamente com diversos animais, faziam um grande círculo ao redor de uma mulher com simples vestes, que palestrava de maneira alegre e entretida, na linguagem da floresta.

Subitamente, porém, ela para, perdendo o fio da meada, como se tivesse lembrado de algo esquecido a algum tempo.

- Tudo bem senhora? – pergunta Duriel, um elfo aprendiz

- Creio que sim – a druida responde – Mas senti uma presença que imaginava estar perdida no tempo. Uma antiga amiga.

- Uma de sua Ordem?

- Sim. Maluf. Era a “certinha” de nós duas. Inteligentissima, porém rígida demais com as regras que nos cercavam. Isso as vezes a colocava em certos dilemas que podavam todo seu livre arbítrio, essencial a qualquer um.

- Não era ela que a senhora contou sobre as tais viagens no tempo com seu antigo Mestre?

- Ela mesma. Sua lealdade era notável, porém ela confundiu lealdade a uma causa com lealdade a pessoas. E como já disse, é impossível ser leal a alguem sem saber sobre a pureza da lealdade deste a qualquer coisa. Então se torna algo bem relativo.

- Já na lealdade à causa, é uma questão de identificação e conhecimento dela. Você nunca vai ter um terceiro fator no meio, simplesmente sua dedicação e confiança na Causa. E isso permite a você se dedicar de maneira total ao objetivo da mesma. Certa, errada, não importa. Você estaria inteiro nela. E somente assim, podemos dizer que representamos algo. Me acompanham?

- Mas não corremos o risco do fanatismo dessa maneira senhora Layla? Como a amiga que você salvou, a tal Sylla?

- Não necessariamente. O fanatismo acontece quando usamos da causa para justificar nossos atos particulares. Não estamos presentes na causa, estamos usando ela. E isso não é dedicação, é apropriação.

- Maluf estava se escondendo. Mas agora parou com isso. Que estranho. Eu vou me recolhar, creio que devo estudar alguns fatos no Registro. Mas essas coisas não me cheiram bem. Amanhã falaremos mais. Aproveitem o dia hoje.

E a druida se retira, para a floresta, sentando ao lado de um antigo jatobá, começa a meditar.

Reunião em Arborea

Loucura e Magia - Obsessão Sophuz