Martelo de Gond

Haram acorda com a corneta ao nascer do sol. A antiga sensação do calor de Lathander que o revigorava a cada dia agora se torna um novo pesar. Desde que as tropas de Cormyr tomaram o vilarejo de Martelo de Gond e obrigaram todos os homens a trabalhar na construção de novos alojamentos, tudo o que se via era medo. Toda a história sobre os grandes cavaleiros do reino púrpura parecia bem diferente agora.

Martelo de Gond é uma pequena vila situada ao sul de Cormanthor. Fazia parte da antiga trilha dos vales, que contornava a fronteira norte de Harrowswamp e descia até o rio Ashaba. Ruinas de uma antiga construção anã, ganhou esse nome devido a um exímio artesão que viveu na vila na época da retomada. Com o tempo, virou um posto avançado da milícia dos Vales. Mas a algumas semanas, foi tomado pelas tropas púrpuras após o governante Celso ter sido declarado traidor ao fugir para Gate.

Harem pegou seu machado e partiu para cortar a lenha retirada da floresta, que seria utilizada para a construção de barracões para alojamento de soldados. O dia corria como os últimos, comida ruim, pouca água e muita cobrança. O sádico do Lutin, responsável pelo trabalho, iria escolher alguem para perturbar e talvez maltratar. E mais uma vez, Harem iria sentir a raiva subir.

Porém durante logo após o almoço, veio a surpresa. A porta foi chutada por Lutin, como sempre, mas dessa vez havia pânico em seus olhos. Logo atrás dele, adentra calmamente uma figura coberta com um manto branco, carmesin e dourado. Lutin corre, pula por uma das mesas e se vê encurralado. Com uma voz calma e melodiosa, a figura no manto diz:

- A covardia é o tempero essencial dos sádicos, sabia? A forma como vocês mordem os lábios quando estão intimidando alguem, a sensação em suas barrigas e espinha…. tão patético. Vocês andam entre os fracos para se sentirem fortes. Um orgulho tão em vão quanto o de um masoquista.

“Uma mulher” – pensa Harem… o Lutin tá com medo de uma mulh…- e tem seus pensamentos interrompidos pelo grito de Lutin e pelo seu proprio tombo ao chão assutado. Os braços do carcereiro implodiram.

O panico foi geral, mas durou pouco porque diversos soldados cercaram o refeitorio e entraram, juntamente com um daqueles magos vermelhos. Este já começou a conjurar alguma coisa, mas ao que parece foi surpreendido porque nada aconteceu. A tal mulher virou para ele, que mais uma vez tentou conjurar algo, dessa vez com mais sucesso. Um brilhante raio verde que atingiu de maneira fulminante a mulher.

Com um sorriso, o Capitão ao lado dele iria dizer alguma coisa, mas antes que pudesse, sua cabeça implodiu também. O mago vermelho vira assustado somente para ver que a tal mulher estava logo atrás dele. Dizendo algumas palavras desconhecidas, o mago pareceu paralizado, para em seguida ser lançado ao céu, quebrando o telhado e o forro do refeitório. Todos os outros guardas começam a ser lançados aos céus também.

Harem corre para fora, apenas para ter o horror de ver todos os guardas que a vista alcançava altos ao céu, tão pequenos que pareciam passaros. Subitamente, a mulher deixa o refeitório e vai caminhando em direção a saida da vila. Por alguns instantes, cruza com Harlem, e ele vê brilhantes olhos cor de rubi, que o congelam por alguns instantes.

- Não tenha medo. A situação está sendo consertada.

Dito isso, ela passa por ele e os corpos que estão no céu todos implodem, criando uma chuva de sangue e ossos. Rapidamente, a figura de manto saca algo parecido com uma varinha e conjura algo, transformando os restos mortais em pedra, e em seguida fazendo com que eles caiam na forma de muralha, cercando a vila.

Harem estava chocado com toda a situação, mas acabou paralizado e se viu flutando de ponta cabeça bem a frente da tal mulher. Podia sentir seu perfume adocicado e ver os olhos que não sabia dizer se eram azuis ou vermelhos

- Amanha, um novo governante chegará. E VOCÊ irá entegar isso a ele – e coloca no chão um pequeno cubo – Eu espero que você tenha em mente o que vai acontecer caso você desobedeça – Harem é colocado de volta ao chão, a figura saca uma segunda varinha e desaparece. Os habitantes, todos confusos e assustados correm por todos os lados, mas de repente, se acalmam e voltam para a casa. Harem tenta conversar com seu irmão, mas o mesmo não se recorda de nada.

No dia seguinte, uma comitiva de três pessoas chega a cidade. Harem sente que sabe quem são. Vai até eles, e sem falar muita coisa, entrega o cubo para o elfo que os liderava. Em silêncio, começa a ir embora, mas não resiste e pergunta

- O que aconteceu? o que foi tudo isso??

O elfo responde:

- Fi, Fi, Fique ca,calmo meu caro. Tu, tu, tudo sera ex, ex ex, explica, ca, cado na ho,hora certa. mas vo,vo,vocês esta,ta,tão seguros ago,go,gora.

E o elfo então insere um estranho cristal no cubo que lhe foi entregue, e as muralhas recem construidas começam a brilhar numa luz vermelho arroxeada.

Martelo de Gond

Loucura e Magia - Obsessão Sophuz