Koltiras Whitefang

To ask why we fight is to ask why the leaves fall.

Description:

Um hexblade Aasimar treinado nas artes marciais exóticas do Império de Jade. Sempre tentando manter a hamonia, oscila entre um humor negro, ironia e seriedade rapidamente. Gosta de bolo de fubá, limonada, chá verde e preto, odeia frutos do mar, principalmente camarão, calor e trolls.

Bio:

Quando nasceu, o garoto causou diversos acidentes. Aliás, o próprio nascimento foi um acidente com a desculpa de seu pai, Halion: “Não consegui tirar a tempo.” Neste dia, sete vasos quebraram, um mordomo caiu da escada, uma árvore caiu na casa, o irmão Ashar ralou o joelho e conheceu um Kadosh pela primeira vez. Realmente foi um dia marcado por uma má sorte ímpar. Mas também foi um dia muito feliz. O garoto tinha cabelos brancos. Os pais, Agnes e Halion, ficaram da mesma cor quando o viram. E não demorou para as superstições aparecerem. Enfim deixaram isso de lado quando o próximo filho veio saudável e de cabelos pretos, e assim a família estava completa.

Sua nobre família tinha grande notoriedade entre nobres de Radiant Drake. Enquanto cresciam, os filhos treinavam e duelavam contra filhos da corte. E Koltiras, o filho do meio e de cabelo branco, sempre treinava, e perdia para Tom Tornplate. O filho do meio se dava muito bem com Brennan, o mais novo e com Ashar. Uma pena eles se odiarem com uma intensidade nunca antes vista. Era briga durante cinco dias da semana, e nos outros dois também, então não foi de se espantar que o irmão fugia desses encontros.

Ele não contava para ninguém, mas a floresta falava com ele. Fadas conversavam com ele, fogo-fátuos dançavam ao redor das árvores e do seu corpo. Até conheceu uma dríade, uma moça muito simpática que ensinou muito sobre criaturas, magia natural e harmonia, tudo isso antes do horário do jantar. Nessas suas pequenas aventuras sempre encontrava uma bela menina, do qual virou um bom amigo, Melissa Silverheart. Encontravam-se com frequencia, conversavam e brincavam juntos.
A vida era perfeita, e Koltiras e seus irmãos passaram de crianças mimadas para adolescentes mimados. Que é uma combinação pior ainda.

Ashar, não abusava dos servos, mas era extremamente rígido com eles. Brennan era um pouco mais caótico, gritava com servos e batia neles quando uma ordem sua era esquecida ou desobedecida. Koltiras flutuava neste meio termo, ainda era muito mimado como os outros dois. Ashar, já sabia o que queria ser desde pequeno, e passou sua adolescencia toda treinando para ser um Kadosh e perseguir os magos maléficos. Se exibia com sua habilidade sempre que podia, e até mesmo concordou em ensinar um pouco para Koltiras, provavelmente para se mostrar para as meninas nobres no pátio de treinamento. Ele era muito bom espadachim, mas como professor nem tanto.

Já com o irmão pequeno, ele bisbilhotava as casas alheias. Mas como sempre, o irmão pequeno era muito mais leve e ágil, e sempre acabavam se desencontrando. Tudo parecia em ordem, e que a família prosperaria por mais uma geração de almofadinhas cheios de si, até Ashar completar se tornar um kadosh e Brennan completar 20 anos.

Koltiras, com 16 anos, olhava para sua janela, terrivelmente entediado, quando seu pai entrou em seu quarto. A noite havia caído há algumas horas já, e a lua estava crescente, iluminando suavemente o aposento.

- E aí filho, tudo bem? – Halion falava calmamente com as mão por trás de suas costas
Koltiras grunhe como resposta.
- Aconteceu alguma coisa? – O pai se aproxima vagarosamente da janela. – Está entediado?
Mais uma vez Halion adquire uma resposta não verbal, com um aceno de cabeça, o filho deixa claro que sim.
O pai deixa um suspiro escapar.- Pois é, nada acontece faz muito tempo nessa cidade né? Mas isso vai mudar agora mesmo! – O pai esfrega as mãos animadamente.
Koltiras o observa com o canto de seus olhos.
- Ashar passou no teste para se tornar um Kadosh! – Halion proclama com orgulho.
- Sério mesmo? – um sorriso brotou no rosto do garoto – Que legal! Quando ele volta de viagem?
- Ele está a caminho agora mesmo, depois de amanhão ja deve estar aqui provavelmente. Mas essa nem é a melhor parte. – O pai olha para os lados e sussurra – Nós vamos dar uma festa especial para ele!
Uma festa? – Finalmente os olhos de Koltiras se encheram. – Uou! Fazia tempo que não tinhamos uma! Você vai chamar as meninas Silverheart?
- Vou sim! Mas também chamarei os Eastwinds! Quem sabe você ou seu irmão mais novo não consigam fisgar a Aerin?
Koltiras estava perplexo, talvez isto realmente pudesse ser interessante. Podia encontrar com Melissa Silverheart em público e quem sabe….
-Muito bem! Você conseguiu me animar pai! – O garoto levantou – Quando será o Baile?
O pai lança um enorme sorriso na direção de seu filho
Daqui a duas semanas, amanhã mesmo chamaremos o alfaiate para tirar sua medida e a do seu irmão.
Halion se despede e vai em direção ao quarto de Brennan.
“Hmm, uma festa, finalmente as coisas não serão mais tão sem graça.”

As duas semanas passaram razoavelmente rápido, mas não sem seus devidos percalços. Brennan mal era visto, e até o alfaiate foi expulso as pressas de seu quarto. Mas Brennan sempre foi o mais grosseiro dos três então isso não era nenhuma surpresa. Apesar que Koltiras notou alguma coisa estranha vinda do quarto dele, como se algo o observasse. Bateu na porta algumas vezes mas só recebia dois tipos de resposta, ou o caçula gritando para se afastar, ou um rosnado suave e estranho.Com o quarto trancado ele decidiu simplesmente deixar para lá. Seu irmão mais velho no entanto foi um pouco mais insistente.

ABRA ESTA MERDA DE PORTA BRENNAN! – Berrava Ashar O que está escondendo ai?!

Isso se repetia por horas a fio, até o mais velho desistir e ir cuidar de outros assuntos, o do meio achava isso muito interessante e mais de uma vez pegou uma fatia de bolo de fubá e assistiu a cena. Ao sair, o mais velho sempre bufava com vigor e às vezes tropeçava, Koltiras continuava observando a porta. o quarto se abriu e uma cabeça aparecia entre as tabuas de madeiras e a parede de pedra. O mais novo olhava os arredores e se trancava novamente. Isso se repetiu muitas vezes, e Koltiras ficou com um pouco de vergonha quando teve que ajustar sua roupa por ter comido muito bolo. Mas enfim o dia do baile havia chegado.

Durante o dia, a urgência da data se espalhava pela Mansão dos Bell’s, criados correndo de um lado para um outro, com pilhas de prato, animais mortos e até mesmo vasos de flores. E todos eles tentavam evitar Koltiras ao máximo, mas nem todos conseguiam, sempre resultando em pratos quebrados, sangue no chão e terra manchando o piso da residência.

Quando o filho do meio subiu para o seu quarto encontrou seus pais esperando por ele.
-Hm… o que vocês estão fazendo no meu quarto?
O pai coça a cabeça sem jeito e Agnes olhava-o com uma intensidade de mil sóis. – Bem… er… filho… Você sabe que o pessoal é supersticioso… – Pai abre a mão e revela um pequeno frasco com um liquido preto e uma escova de cabelo. – Se você pintasse o cabelo, poderia ajudar bastante a desmistificar isso…
-Você quer dizer esconder Halion! – Vociferou Agnes – Pelo menos chame do que realmente é.
Koltiras foi inundado por uma manada de emoções. Não sabia o que sentir, muito menos o que dizer. Apenas ficou parado e mudo. O som no quarto ficou abafado, sabia que os pais estavam conversando, talvez brigando, mas ele não se importava. Sempre soube das superstições que rodeavam ao redor dele, mas nunca pensou que tivesse que esconder a cor de seu cabelo em sua própria casa. Não deveria pintar, mas lembrou-se de Melissa, e sabia o que tinha que fazer.

-Tudo bem. – Koltiras soltou sufocado e com uma cara indecifrável de emoções – Eu tinjo meu cabelo. – Ele suspirou, soltando nele decepção e resignação.

Os pais se entre olharam, e a mãe agachou para ficar no nível dos olhos dele.
-Se não quiser, não precisa fazer Kolt. – Agnes pegou na mão dele – Mas se quiser, eu te ajudo.
O garoto anuiu com a cabeça e os progenitores entenderam que essa era deixa deles. Antes de Koltiras se recompor, o quarto já estava vazio.

“Bem… Vamos lá. Está na hora de cuidar disso.”Pegou o frasco e a escova e entrou no banheiro de sua suíte, mas dessa vez não chamou nenhum criado, queria fazer isso completamente sozinho.

A roupa de Koltiras era preta com os botôes de prata e detalhes na mesma cor. Talvez o alfaiate queria destaca os cabelos, mas os fios que ele estava usando em sua cabeça hoje eram negros. Vestiu-se e resolveu ir atrás de de seus familiares.

O quarto do irmão mais novo estava fechado, e ele teve a mesma resposta de sempre ao bater na porta. O mais velho estava mandando em alguns servos, consertando detalhes minimos, como a distância entre os talheres e as bordas das cortinas estarem supenssas a exatos 5 centimetros do solo. Os olhos metódicos de Ashar conseguiam identificar milimetros de discrepância, e insistia que isso fosse consertado. E algo tão óbvio como a mudança de cor de cabelo não ia passar despercebido pelo mais velho.

- Kolt? O que você fez com seu cabelo? – Disse Ashar com uma frieza clínica – Não sei as pessoas irão te reconhecer sem sua marca registrada.
- Bem… O pai achou melhor para desfazer a superstição… – Koltiras desviou o olhar encabulado. – Mal posso encostar na minha cabeça… a tinta é muito forte e acho que ela não secou ainda.
- Isso não desfará a superstição, só vai reforça-la, e se quer saber, todos os criados viram você com cabelo branco. Não é como se fosse um segredo, e tentar transformar em um agora, – Ashar suspira – vai ser inútil. Você esqueceu uma parte atrás da orelha.
E com um giro de calcanhar, ele virou de costas e foi para o seu quarto.

O filho do meio estava sentado na escadaria principal, faltava uma hora para o baile começar quando Brennan apareceu, usando vestes vermelhas com seus detalhes dourados, cabelos curtos e bagunçados. Claramente estranhando a mudança de Koltiras, o mais novo se aproximou.

- Que coisa estranha. – Disse Brennan colocando a mão no cabelo -, seu cabelo era mais legal branco. Mas ficou bom assim também.
Por mais mundano que pareça, Koltiras estava pensando muito sobre o assunto, sentia que estava negando parte de si mesmo. O que mais doeu foi que os pais deles tinham uma espécie de vergonha, tímida, mas lá estava.
Brennan falou mais duas coisas, vendo que não conseguia resposta alguma de Koltiras, foi embora se distrair com outra coisa.

Não demorou muito para os convidados começarem a chegar. Cada um com uma roupa mais espetacular que a outra, e mais complexa também. Reconheceu logo a família SilverHeart e sua filha mais nova, Melissa, apesar dele não o ter reconhecido. Aerin, também estava lá com seu pai, e Tom, um dos melhores espadachins do reino, com apenas 14 anos, também estava perto dos nobres, com uma pequena sombra acompanhando-os.

Vem Oliver! Gritou o garoto loiro – Vamos atrás de comida.

Os dois correram para a mesa servindo os canapés, Tom comia enquanto Oliver lia algum livro. Se fosse Ashar vendo isso com certeza brigaria com o servo.
A festa estava bem menos excitante do que Koltiras imaginara, mas pelo menos era algum tipo de distração. Depois de uma cerimônia onde Ashar recebeu a espada da família, recém polida e afiada, já era hora da dança. E depois de muito procurar conseguiu encontrar o par que queria. Ele e Melissa dançaram durante quase todo o período, ela estranhou a mudança na cor de cabelo, mas disse que caía bem nele. E assim os dois continuaram, trocando gracejos, sorrisos e olhares. Obviamente, todos que dançavam ao lado deles, viviam tropeçando, caindo e pisando nos pés dos parceiros. Até que a música acabou bruscamente, uma cena se desenrolava no centro do salão.
Correu junto com Melissa para saber o que estava acontecendo. Um círculo havia se formado em torno dos dois irmãos de Koltiras.

- Aonde você conseguiu isso?! – Gritava Ashar em sua armadura completa e em suas mão tinha um grimório. O público estava muito assustado, mas também muito entretido.
- Não é da sua conta! Quem deixou você mexer nas MINHAS coisas? – Brennan estava com a cara vermelha de raiva.
- Isso não importa! Eu sabia que você tava escondendo alguma coisa! – Ele jogou o livro no chão com toda força. – Isso é magia do pior tipo!
Koltiras entrou na roda e começou a intervir na confusão.
-Parem já com isso! – Berrou exasperado – Brigar aqui e agora não vai ajudar em nada.

Brennan voltou sua atenção para o irmão do meio, mas Ashar não. Anos de disciplina o treinaram para não perder a concentração nem por um minuto sequer, assim que o irmão mais novo baixou a guarda, ele puxou a espada e avançou em uma velocidade estonteante contra Brennan e fez a espada descer rapidamente. Porém ao invés de encontrar o irmão mais novo, um outro entrou no meio para defende-lo. O metal cantou uma melodia de sangue e carne nas costas de Koltiras. Quase foi ao chão, ele lutava para se manter em pé agora, sangrando no mármore do salão. Gritos invadiram o salão, e Brennan se estatelou no chão em busca de Koltiras.
- O que você fez? – Os olhos de Brennan continham pura raiva – Seu imbecil!
Suas mãos gesticularam rapidamente no ar e algumas palavras de poder foram proferidas. E de suas palmas chamas começaram a dançar, mas antes que elas pudessem se esticar, Koltiras ficou entre os dois novamente.
Já disse! Parem com isso! – O irmão do meio lutava para não cuspir sangue enquanto falava Qual o problema de vocês dois.
- Saia da frente Koltiras – Brennan berrou – Já passou da hora de Ashar respeitar poder de verdade.
- Não vou me mexer daqui! Agora pare- Assim que Koltiras proclamou sua ação fogo irrefreável saiu da mão do irmão mais novo e engoliu os dois à sua frente.

Ashar conseguiu escapar relativamente ileso, mas os gritos de agonia de Koltiras perfuravam os timpanos de todos. Brennan, pegou o livro, correu e se misturou no meio da gritaria e multidão que se espalhou assim que a magia foi lançada. Ashar não perdeu tempo, foi correndo atrás do infrator. A multidão se dispersou e a mente do irmão do meio se nublou até o ponto de escuridão absoluta.

Quando Koltiras acordou, estava sozinho em sua cama, com o corpo enfaixado e sentindo dores principalmente nas costas. As queimaduras eram doloridas, mas a magia não foi tão forte e as chamas não foram tão quentes. As roupas evitaram que maiores desastre acontececem, mas um não pode ser evitado, os irmãos estavam em grandes apuros. Se mexer era uma tarefa hercúlea e demorava muito tempo, então simplesmente esperou alguém entrar no quarto para conversar com ele. Felizmente não teve de aguardar muito, um criado, provavelmente um enfermeiro, entrou e assim que viu o adolescente acordado foi chamar Halion e Agnes.

Os pais entraram as pressas e aos prantos no quarto do filho do meio, e julgando pela cara deles, agora ele havia se tornado filho único.

O que aconteceu – O pai colocou a mão no cabelo do filho que havia voltado a ser branco.
- Brennan desapareceu… – A voz de Halion era pesada
não temos a menor ideia de onde ele pode ter ido. E Ashar está muito irritado…
- E tem outra coisa que queríamos falar com você. – Sua mãe parecia mais apreensiva que seu pai, isso era raro.- Os kadoshs chegaram para nos ajudar, vamos ter que nos mudar Koltiras.

Koltiras não queria se mudar, mas o que restava para se fazer em Radiant Drake? Ele já era chacota da cidade por ter cabelos brancos. Agora com um irmão mago e outro estressado o suficiente para sacar uma espada em um Baile? Não é como se o mundo tivesse de portas abertas para ele. Melissa com certeza não olharia na cara dele depois dessa, não tão cedo de qualquer maneira.

- Para onde vamos? – Suspirou Koltiras derrotado.
Os pais se entreolharam.
- Filho… Não tem maneira fácil de falar isso. – O pai estava a beira das lágrimas- Se você ficar , os Kadosh vão querer por você na cadeia por associação com magos. – Halion segurou um soluço com muito esforço – Conseguimos provar que somos inocentes, mas você sempre passou muito tempo com Brennan, não temos como garantir sua inocência. – O pai não conseguiu continuar, lagrimas desabavam de seus olhos, cobriu o rosto com suas mãos e Agnes, em um estado um pouco melhor, continuou.
- Não podemos levar você com a gente.- Disse a mãe passando a mão em seu rosto – Seu irmão queria você preso junto, mas conseguimos usar a nossa influência para ajudar você. – Agnes respirou mais fundo, controlando suas emoções. Koltiras iria começar a falar, mas sua mãe levantou a mão pedindo paciência. – Você não será preso, mas não pode ficar em Vector ou em Highwind. Se ficar os kadosh não terão escolha se não prende-lo, você irá para o Império de Jade. Um amigo nosso cuidará de você lá.

Koltiras gritou, protestou, chorou e tentou se levantar, mas tudo isso foi em vão, principalmente o último. No fim do dia ele estava de mala pronta e partiria na primeira luz do dia seguinte. Pelo menos conseguia andar, mesmo que precisasse de ajuda de uma bengala.

A manhã do dia seguinte, era a mais cinza que havia visto. A floresta não chamava mais por ele, a mansão era fria e irreconhecível para ele. É verdade que havia muitas coisas que estavam empacotadas, mas ainda assim, era uma energia muito diferente da normal. Pegou a bengala ao lado da cama e foi descendo com os olhos carregados de sofrimento. A dor física que sentia tinha sido completamente afogada pelas emoções que sentia, de vez em quando, de um de seus olhos, uma lágrima caía. Um servo se prontificou a carregar sua única mala para a carruagem, seus pais e Ashar esperavam diante dela. Enquanto os progenitores entraram no veículo, seu irmão ficou para fora. Olhando friamente com os braços cruzados. Assim que Koltiras ia passar por ele, um braço estendido bloqueou a passagem.

- Não tenho provas que você é culpado, mas tenho menos provas ainda que você é inocente. – A voz claramente possuía raiva contida – Se você tivesse me permitido dar o golpe naquele traidorzinho de merda, não estaríamos nessa situação. – Os olhos de Ashar recaíram sobre o irmão, ele sentiu o peso, mesmo sem desviar o olhar do chão.- Você defendeu um mago, podia ter ido para a cadeia. Espero que seu exílio lhe sirva bem, aprenda, cresça e não cometa o mesmo erro novamente. Está na hora de deixar de ser moleque, e se você voltar e não tiver mudado nada, eu mesmo lhe ensinarei bons modos.

E esta foi a despedida de seu irmão, que voltou caminhando em sua armadura completa de volta para mansão e subiu em um cavalo próximo à porta.

- Irei caçar o maldito do Brennan, e se preciso caçarei você também Koltiras.

Essa foi a última vez que viu seu irmão.

Chegando no porto, deu o adeus aos seus pais com o coração apertado e seus sentimentos doloridos. Embarcou no navio, seu servo pela ultima vez carregou sua mala. As velas foram içadas, e 15 minutos depois, a cidade era apenas um pedaço no horizonte.

Koltiras não saberia dizer quanto tempo se passou, pode ter sido um dia, uma semana, um mês ou até mesmo um ano. Tempo perdeu grande parte do seu significado, só ficava em sua pequena cabine, comia quando lhe dava fome, bebia quando tinha sede e fazia suas necessidades quando tinha necessidades. Era como se ele tivesse se tornado uma coisa, mas a realidade era pior que essa, coisas tinham função, ele não tinha nenhuma.

Tempestades assolavam, o convés do navio, não representavam nenhum perigo para um navio deste porte, mas com certeza era um incomodo a mais no torpor de Koltiras. O balançar do barco podia ser levemente agradável, mas na maioria das vezes era só mais uma perturbação. Enfim depois de um período de tempo desconhecido, ele chegou ao Portal do Sol Poente.

Desceu do navio arrastando sua pesada mala com muito esforço, nenhum marujo o ajudaria, e ele não teria dinheiro o suficiente para um criado. Agora que parou para pensar, não tinha nem casa, finalmente a névoa de sua mente começou a se dispersar, revelando um pouco de ansiedade. Até que uma voz arrancou ele de sua introspecção.

-Ei! Garoto! Ô de cabelo branco! – Uma voz com um sotaque estranho e estridente – Seu nome Koltiras?
Quando ouviu isso, ele anuiu com a cabeça e foi na direção do homem. Agora havia começado a reparar no ambiente, era exatamente o contrário com que havia se acostumado em seu país natal. Em contraposição das linhas retas e regulares, a arquitetura era completamente fluída, com traços curvilíneos e que simplesmente mudavam ao bel prazer do construtor. Isso tornava a cidade muito interessante de se observar, possuía um senso de harmonia, substituindo a funcionalidade de Vector e Highwind. Novamente o garoto foi chamado do passado das contruções para o presente com um peteleco em sua testa.

-Tá me ouvindo? Só falta ser burro também. – O oriental suspira – Garoto,presta atenção, sua má sorte acaba aqui. Meu nome é Chen, sou amigo da Yalia Snowblossom. Ela vai cuidar de você, confie na gente. Agora vamos, temos que conseguir uma carroça.

O jovem mais uma vez anuiu uma vez, sem dizer uma palavra e seguiu-o. Se ele sabia seu nome provavelmente era ele com quem deveria se encontrar, apesar que ele parecia ser algum tipo de criado, mas seu comum era quase perfeito, se não fosse pelo sotaque é claro. Não precisaram caminhar muito para encontrar uma loja na beira do porto. Os cavalos eram de carga, e não havia abrigo dos elementos, mas seria mais que o suficiente para a viagem. Chen ajudou o garoto com a pesada mala, e com ambos no veículo, o oriental deu um leve toque das rédeas e vagarosamente foram ganhando velocidade. Logo a cidade tinha ficado para trás e o caminho sinuoso foi se embrenhando entre as montanhas como uma serpente.

- Como é a Senhora Yalia? – Disse o garoto quebrando o silêncio
Chen com as rédeas em uma mão e um cachimbo longo em outra. – Se eu fosse você eu evitaria chamar ela de senhora. – Disse soltando uma risadinha, e ofereceu o cachimbo para o jovem – Ela é paciente, calma e muito focada. Ela causa uma impressão diferente em cada um de nós, não é fácil explicar.
- Entendi. – O jovem tragou o cachimbo e tossiu enquanto o um gosto de ervas invadia sua garganta – E por que estamos indo para um monastério?
- Yalia largou a vida na cidade depois que sua irmã que cuidava do monastério morreu, ela resolveu lidera-lo e todos concordaram.
- Então vou evitar falar da irmã dela.
- Por que o faria? Meu jovem, morte vem à todos uma hora ou outra, até elfos não escapam dela. Fingir que ela não existe só deixa você míope.
- Mas por que eu falaria disso? Não quero magoa-la.
- Você negar a existência da irmã dela magoaria muito mais.
Koltiras mergulhou em seus pensamentos, que inevitavelmente se voltaram para seus irmãos.

Chen era boa companhia, bem humorado e escondia uma certa sabedoria sob sua aparência simples. A viagem de dois dias passou mais rápido que pensara e no começo da tarde do próximo dia avistaram o monastério. Paredes de pedras cinza se erguiam entre as montanhas, no topo delas, um beiral de madeira pintada de vermelha, a arquitetura era a mesma da cidade, porém muito mais grandiosa e simples ao mesmo tempo. Os materiais eram com certeza de material inferior mas eram eficazes para o que eles foram moldados. Chegando aos portões, dois elfos gritaram algo e os portões se abriram.

Uma mulher aguardava calmamente atrás das portas.

- Olá Chen. Obrigado por buscar nosso convidado. – Fez um leve reverência para ambos. – Pode guardar a carroça Chen, eu irei mostrar o templo para o nosso hóspede.

Chen respondeu a reverência com outra e começou a fazer suas tarefas.

Com um gesto da sua mão, Yalia havia convidado Koltiras para segui-la.
- Algumas regras antes de mais nada. Sei que veio de uma posição alta, e que as coisas era feitas por você, mas as coisas não funcionam assim aqui. – A voz era calma, suave mas implacável. – Se quiser algo, faça sozinho. – Olhou para Koltiras para se certificar que ele havia entendido. – Todos do monastério são aprendizes, e você não será diferente, aprenderá a lutar, a falar nossa língua, a trabalhar, tudo isso para aprender a se harmonizar. – Ela o guiou pela biblioteca, entre uma das estantes tinha uma porta fechada. Ela abriu a porta, entrou com Koltiras e fechou a porta atrás deles.

A sala era de madeira, e um círculo com runas e símbolos estava queimado no centro.
- Fique dentro do círculo. – Koltiras obedeceu enquanto ela se sentava em um outro, bem menor, quase em uma das pontas da sala. – Seu treinamento começa agora. Silêncio agora. – Ela fecha os olhos e começa a meditar.

Koltiras resolveu sentar no chão e ficar no mesmo nível de Yalia. Trinta minutos se passaram sem a mulher se mexer. Até que finalmente Koltiras a desobedeceu.
- Chen me contou da sua irmã.
A testa dela se franziu minimamente. Ela permaneceu em silêncio.
- Eu lembrei dos meus irmãos… Claro que não é nada parecido. – Koltiras controlou seus sentimentos – Eles sempre viviam brigando mas nunca imaginei que algo assim aconteceria.
- Isso não é culpa sua. A briga deles aconteceu pois eles não conheceram harmonia entre eles.- Ela respondeu sem abrir os olhos – Isso aconteceria mais cedo ou mais tarde. E o que você quer fazer sobre isso?
- Eu preciso parar aqueles dois. Ashar quer punir Brennan, e Brennan quer apenas ficar mais forte pelo jeito.
- A vida não é sobre recompensa ou punição, a vida é sobre entender os outros. Claramente foi isso que faltou aos seus irmãos. Você quer ser a ponte entre eles dois então?
- Eu acho que sim, mas sempre que eu fico em algum lugar parece que ele desmorona – Koltiras finalmente chorava – Pessoas tropeçam, brigam e se machucam sempre que eu to por perto.
- Sim, isso definitivamente é por sua causa. – Ela abriu os olhos – Mas não pelos motivos que você imagina, e com certeza não com a intensidade que você pensa.
Koltiras estava claramente confuso.
- Antes de você rudemente me interromper, eu estava tentando identificar essa aura sua. – Ela se espreguiçou – Felizmente o que você falou me ajudou a descobrir.
Koltiras esperava a conclusão. – E… ?
- Seu cabelo branco, você não é um humano.
- Que?! Meus pais são humanos, e olha para mim, como eu seria qualquer coisa que não humano? – Koltiras estava exaltado agora.
Yalia se levanta e pega duas bandejas, uma cheia de areia e outra com um kit de chá e volta a se sentar, mais próximo dele desta vez.
- Calma, vou explicar de uma maneira burra para você entender. – Ela serviu duas xícaras de chá verde, e empurrou uma para ele. – Você é um tipo de celestial.
Koltiras ficou mais confuso do que já estava, e ficou também mais bravo.
- Você anda fumando erva demais senhora! – Disse batendo a mão no chão.
Em resposta, Yalia, jogou o chá quente em sua cara com uma calma anormal, e voltou a encher a xícara. – Não me chame de senhora, “senhor” – Disse olhando para os cabelos brancos. – Continuando, você é filho dos seus pais eu não tenho a menor dúvida disso. O que eu acho no entanto é que você foi morto no seu plano natural, e, por falta de uma palavra melhor, reencarnou em um humano, trazendo consigo suas características. Ou pode ter sido amaldiçoado.
Mas o que?! Como? Eu só estou ficando mais confuso ainda! – outra leva de chá quente escalda seu rosto. – Caramba! Ai!
- Quantas vezes eu tenho que dizer calma? – Disse demonstrando uma leve irritação – Algum espírito maligno distorceu sua essência. – Koltiras abriu a boca para falar, mudou de ideia antes que ela terminasse de encher mais um copo de chá.
Você morreu para alguma magia, em sua – Ela ficou levemente desconfortável – vida passada. A sua harmonia foi perturbada. – ela tomou a bandeja de areia em mãos e fez um yin e yang. – Preste atenção agora, a magia que foi usada em você, não importa se foi para matar ou para amaldiçoar, ela era magia negra. – Apontou para o yang. – Você como celestial, tinha muito mais Yin que Yang em seu ser, não era harmônico por razões óbvias. Quando essa magia lhe atingiu, ela estranhamente desestabilizou isso o suficiente para causar o efeito que você vê hoje. Sobre o azar, ele é um resquício dessa magia. Preciso de mais tempo para estudar isso, mas creio que existe modos de curá-lo. Alguma pergunta?

- Que tal 300? Como isso é possível?
Yalia levantou – Ainda não sei, me avise quando tiver as outras 299. Já tinha ouvido de casos assim, e lido em histórias, mas ver em primeira mão é no mínimo fascinante. Nos falaremos depois, seu treinamento começa amanhã. Tenha um bom dia.

A mestra saiu pela porta e deixou Koltiras sozinho. Ele terminou de tomar seu chá, havia gostado do sabor. Após terminar sua xícara, se levantou e foi para os aposentos. Amanhã o dia seria longo.

De manhã bem cedo, um sino tocou alto e forte. Koltiras acordou de sua humilde cama no chão, se arrumou com algumas roupas largas e práticas e foi em direção ao pátio central. Os aprendizes já estavam em formação, ele correu para se misturar e tomou formação do lado de uma menina.

- Você está atrasado – ela sussurrou.
- Eu reparei.
- Meu nome é Midori.
- O meu é- E foi interrompido.
- Posso te chamar de Shiro?
- Oi? Pode eu acho…
- Quer dizer branco na nossa língua.
- Entendi…

O dia prosseguiu cheio de tarefas para fazer, além dos treinos de combate e meditação. E todos os outros seguiram da mesma maneira. Shiro e Midori se tornaram bons amigos, e se aproximavam mais a cada dia. As más línguas do local diziam que estavam juntos, mas isso nunca aconteceu, apesar de que a tensão era inegável. Os dois estavam sempre juntos. Midori treinando no caminho dos ninjas, e Shiro no dos samurais, e acabavam treinando juntos no final do dia, os dois não se tornaram os melhores do monastério, mas estavam entre eles. Depois de todo treinamento ele ia para a sala de estudos para a Mestra Yalia Snowblossom analisar a energia dele, as vezes trazia um especialista. E assim se seguiu por muito tempo, treinamento de manhã, afazeres a tarde, mais treinamento a noite seguido por uma bela sessão de estudo.

Um dia, em uma dessas sessões de estudo, quando Koltiras tinha 19 anos, um shugenja era o especialista convidado de Snowblossom. Seu nome era Lin Ba Fun Fun, tinha uma cara muito estranha e uma aparência pior ainda, mas sabia conhecia como ninguém os espíritos, malignos ou benignos.

-Descobri o que aconteceu com ele! – Exclamou o oriental – Tem um tipo de magia modificada nele… Na verdade é um espírito que esta seguindo ele. Que curioso, como isso aconteceu?

Yalia estava sendo muito discreta sobre o problema de Koltiras, e a última coisa que precisava era de alguém cutucando por aí. – Isso já o suficiente para resolvermos a situação. Muito obrigado Lin Ba Fun Fun, seu pagamento está em cima da mesa. – Gesticulou para um saco de ouro em cima da mesa, e agradeceu, claramente indicando o fim do serviço prestado.

O shugenja contorceu a cara levemente em desaprovação, mas não havia nada que podia fazer, mesmo sendo muito interessante o caso, não valia a pena arriscar sua vida para conseguir. Pelo menos por enquanto. Fez um reverencia, pegou o dinheiro e relutantemente foi embora.

- Sabe mesmo como resolver isso? – Perguntou Koltiras.
- Não. – ela fechou a porta – Mas sei como fazer você descobrir, amanha a noite resolveremos isso de uma vez por todas. Me encontre no mirante da torre do tigre.

Foi se deitar logo depois. Não demorou muito para cair no sono, mas o mundo dos sonhos não estava amistoso para ele neste dia. Pesadelos invadiram seus pensamentos como ladrões sorrateiros na noite, no começo eram poucos, mas não demorou muito para o caos se instaurar. O rosto do shugenja estava sempre lá, assombrando e causando horrores inimagináveis. A manhã demorou para vir, mas finalmente chegou, a noite foi embora e com ela os sonhos medonhos que o assombrou.

O dia seguinte foi diferente da sua rotina. O café da manha e seu chá eram diferentes, os exercícios eram diferentes e as tarefas também. Tudo estava sendo preparado para hoje à noite. Quando a noite voltou a dominar o céu, Koltiras já estava na torre, depois de 3 horas Mestra Snowblossom subiu as escadarias e se encontrou com ele no terraço. Ela estava com uma pequena caixa de madeira, pouco maior que a palma de sua mão.

- Está na hora de começar, sente-se. – Disse Yalia fazendo o mesmo. – Você é bom em meditação?
- Sempre acho complicado me concentrar em uma coisa só. – admitiu o quase-adulto agora – É isso que faremos aqui?
- Sim, será um pouco diferente no entanto, – suas mão rapidamente abriram a caixa e escolheu 2 incensos, fechou a caixa e levantou os dois palitos de madeira untados – você vai se concentrar no aroma. – Acendeu os dois incensos e sentou longe dele.

Ele fechou os olhos e começou a se concentrar somente no cheiro. Demorou um pouco para entrar em um estado de meditação, mas quando conseguiu havia algo diferente, era como se ele tivesse se destacado completamente do mundo e uma voz invadiu sua mente.

- Olá hospedeiro, – a voz respingava uma essência maléfica – finalmente veio receber-me então depois de tanto tempo? Estou lisonjeado.
- Quem é você? – respondeu mentalmente – O que você quer?
- Eu sou um espírito, mais do que isso não sei dizer, só conheço este mundo, sua mente, e ainda assim não completamente. Já sobre o que eu quero, eu quero estar livre das amarras destas amarra.

A discussão durou horas na cabeça dele, e foi tão infrutífera quanto parece. Até que eles tocaram no assunto certo.

- É você que azara tudo ao meu redor?
- Sim.
- Então se eu lhe soltar, você só irá causar mais problemas.
- Não disse que eu fazia por que eu queria. Não depende de mim, é a minha natureza. Você culpa a folha por cair no outono?
- Mas isso não muda o fato que você machucaria pessoas.
- É verdade, eu ainda iria prejudicar quem eu chegasse perto. Mas não se esqueça, eu sou parte de você.
Uma ideia veio a cabeça de Koltiras.
- E se eu só impedir você de azarar certas pessoas?
A voz silenciou por um momento.
- Você quer somente prejudicar seus inimigos?
- Exato. Está na natureza de todo ser vivo lutar, não posso negar isso. Mas posso escolher as minhas lutas, e se eu posso fazer isso, você também pode.
O silêncio se prolongou durante um tempo maior desta vez.
- Muito bem, temos um trato.

Koltiras abriu seus olhos e viu uma pantera negra etérea “materializada” em sua frente, e desmaiou.

O dia seguinte foi difícil explicar o porquê de uma pantera fantasma estar seguindo Shiro, mas depois deste dia, ninguém mais tropeçou perto dele, a não ser por acidente de verdade ou porque ele queria. Seu treinamento continuou no monastério, mas seus dias estavam vazios de propósito, até que um dia, Yalia recebeu uma carta.

A carta vinha de seus pais, falava que Ashar havia sumido. A perseguição por Brennan havia levado ele ao fanatismo, estava vendo ameaças onde não existiam, até mesmo acusou Kadoshs de serem muito gentis com magos. Isso causou que alguns membros da ordem se separassem e formassem um grupo ainda mais extremista. Era claro que Koltiras teria que se envolver.

Quando expressou seus sentimentos para Yalia, ela entendeu e concordou, mas que antes ele teria de terminar o seu treinamento de uma vez por todas. Ela o guiou para as catacumbas do monastério onde uma mina de cristais estava localizada. Lá ele escolheu um pedaço grande o suficiente para criar uma Katana. Os ferreiros e monges começaram a trabalhar no cristal no mesmo dia. A espada não seria uma comum, então não foi nenhuma surpresa quando o jovem adulto descobriu que demoraria pelo menos 6 semanas para finaliza-la. Todos os dias até a lámina estar pronta, ele visitava a forja, a sala de encantos ou seja lá onde o cristal estava, apesar de que durante uma semana, não conseguiu nem ver a sombra do material, provavelmente alguma parte do processo era segredo. Quando a katana finalmente ficou pronta, uma parte do costume era meditar durante 12 horas com a lámina recém forjada. Mestra Snowblossom, beirando cada vez mais a fronteira entre senhorita e senhora, pegou os mesmos incensos da outra noite a anos atrás. Quando o período de transe havia acabado, a espada estava mais leve, era como se ela havia se tornado uma extensão do braço de Koltiras.

Ele havia chego ao monastério, franzino, mimado e prepotente. Agora ele possuía músculos que se empilhavam um em cima do outro, agora ele entendia de harmonia e paz de espirito, e agora ele sabia exatamente do que ele era capaz. E isso assustaria muita gente lá fora. Depois de 9 anos finalmente deixou o Império de Jade, e foi em direção a Radiant Drake. Chegando em sua cidade natal ficou surpreso pelo número de pessoas que o reconheceram, incluindo Tom, que depois de Koltiras contar as suas desventuras no continente oriental, decidiu contratá-lo para ir atrás de Aerin. Também reconheceu Melissa Silverheart, trocaram um olhar longo e demorado antes do marido chegar ao lado dela. A volta trouxe a tona diversas emoções esquecidas.

Entre dois irmãos, dois continentes, entre mágica e espada, celeste e profano. O garoto que sempre esteve no meio, estava no meio de uma grande confusão, e estava pronta para solucioná-la por completo.

Koltiras Whitefang

Loucura e Magia - Obsessão andre_atassio