Flynn WildStrider

I love not humanity less, but nature more.

Description:

Um jovem de 21 anos, amante da natureza e que passou muito tempo em seu meio. Possui cabelos loiros escuros e tem um corpo pequeno, medindo 1,65 de altura. Faz novos amigos com facilidade, gosta de ameixas, maças, longas caminhadas na praia e de meditar. Odeia blusas de lã que pinicam, strogonoff e suco de caju.

Morto em batalha, atualmente sua alma encontra-se marcada para ser levada ao fosso eterno do Semblance of Suffering, lar eterno de Drakka, porém presa num recipiente mágico improvisado por Aerin

Bio:

Uma mensagem póstuma para Oliver Finnegan

Um herói, um vilão e uma princesa. Depois de diversos desafios e monstros em seu caminho, o valente príncipe mostra seu valor em uma luta feroz com o cárcere de sua amada, e após sua inevitável vitória, o resgatador e a resgatada se casam e vivem felizes para sempre, e nós, os simples servos só assistimos com admiração, afinal, não somos importantes. Esta não é a história de um herói ou heroína, muito menos de outros membros da santa trindade dos contos e fábulas. Esta história é sobre os que assistem, que apenas pintam o cenário da peça, ou daqueles que entoam uma fala e são engolidos pelo ego dos protagonistas. Somos apenas pobres criaturas para ser salvas, as sombras atrás dos atores, apenas a população para acariciar os sentimentos dos nobres. Somos uma enorme máquina, da qual se espera resultados previsíveis.

“Temos um Rei muito generoso” Eles dizem.
“Ainda bem que a princesa arranjou um casamento” Eles agradecem.
“Trabalho para o bem do reino só enriquece a gente” Eles pregam.

Tudo funcionando de acordo com o plano: nasça, cresça, trabalhe e morra, e não ouse agir ou pensar por si próprio, você é apenas um plebeu, deixe isso para os nobres e ponha-se no seu lugar, que é lambendo as botas de seus superiores. Imagine o que aqueles almofadinhas pensaram, imagine a cara que fizeram, quando viram um de nós sabotar a máquina e se recusar a ser mais um da fileira. Para os desinformados isto até pode parecer uma carta de ódio, mas é na verdade apenas um lembrete da nossa existência. Claro que iremos ajudá-los seus engomadinhos, afinal gostamos sim de vocês, mas tudo tem um preço, e no caso é admitir que nós somos o sangue e carne desse reino, que nós podemos nos comportar do jeito que bem entender, que não aceitaremos injustiças e o principal, que não seremos esquecidos. Essa é uma história de um de muitos exemplos, um figurante que abandonou o palco e foi buscar a si próprio. Que mostrou o dedo para todos os filhos e filhas de papai e os deixou vermelhos de raiva. De uma pessoa que foi atrás do próprio mundo, longe da conformidade, uma história contra o mundano e atrás do extraordinário que temos dentro de cada um de nós.

Pequenas coisas extraordinárias

Dois pequenos pés se agitam na noite em um castelo de Highwind. “Cacete… Já passou da hora das bruxas faz tempo… Tenho que me meter na cama rápido, antes que alguém me veja.” Pensou o garoto que carregava dois livros apertados contra seu peito, não deveria ter mais de 18 anos. Com uma vela que mal dispersava a escuridão a sua volta, o menino se apressava pelos corredores tentando chegar a seus aposentos em um dos níveis mais baixos do castelo. A luz da lua gorda penetrava nas janelas do castelo, e com os belos feixes prateados, o pequeno bibliotecário se distraiu. Seus olhos repousaram no grande astro mas suas pernas se mostraram incessantes. Foi então que o extraordinário atingiu Oliver pela primeira vez, sua falta de atenção fez mais que somente admirar uma beleza natural enquanto se movia, sua desatenção também trouxe uma menina de cabelos da cor de terra ao chão junto consigo quando a inevitável colisão aconteceu. Por um momento o tempo parou, as duas crianças se encararam, e apenas por este momento, eram duas protagonistas em cena. Mas assim que o segundo passou e um deles identificou o outro, a cena havia mudado.

- …Merda! – Disse o menino.

O coadjuvante se levantou apressadamente e correu na direção oposta, deixando os livros e a condessa para trás enquanto corria sobre a pedra fria e cinza. A nobre, ainda sentada no chão se indagava “Um servo? Que estranho…” a garota que tinha cerca de 17 anos, apagou uma das velas, pegou a outra e mergulhou na escuridão.

O menino estava preocupado e irritado, isso não podia ter acontecido, ainda mais com a condessa. Tropeçando e caindo o garoto conseguiu chegar em seus aposentos mesmo envolto pela ausência de luz. Enfiou-se embaixo da das cobertas e tentou dormir mas a imagem da nobre no chão assombrava seus pensamentos, o dia amanha seria longo demais.

Metal e palavras

Depois de dois pares de horas, o menino estava saindo da cama, acordou seu pai que dormia no mesmo pequeno aposento no térreo do castelo e ambos foram seguir com seus afazeres, seu pai em direção aos fornos da cozinha e o garoto em direção aos estábulos para limpá-los e alimentar os cavalos. As lembranças de ontem à noite povoavam sua cabeça com a mais intensa lividez, e nem mesmo os raios do astro rei surgindo no horizonte conseguiam dispersas as consequências que passavam pela mente do pequeno bibliotecário. Quando terminou os seus afazeres no estábulo, começou a se preparar para os treinos de combate, obviamente um servo não iria combater. Ele ser escudeiro de três engomadinhos que mal sabiam segurar a espada, eles tinham o conhecimento necessário para sacudir o metal no ar e a força necessária para fazê-lo ser minimamente perigoso, mas era apenas isso. E foi um dos primeiros treinos que Oliver ia ter de prestar atenção, afinal de contas, os livros que tinha pegado não estavam disponíveis para ele. Tom, o prometido da condessa, foi um dos primeiros a aparecer e requisitar a ajuda do escudeiro relutante para colocar a armadura estofada. Para ser bem justo, Tom não era de todo mal, era um dos únicos espadachins habilidosos do reino, era um dos poucos nobres que Oliver até simpatizava.

- E aí Flynn – Disse o nobre jocosamente – Já está precisando de óculos para ler?
- Hoje não Tom, esqueci meus livros e vou ter que ver esses almofadinhas mexer as espadas que nem babacas. E pelo jeito não vai desistir do apelido mesmo né?

Os dois eram quase amigos, mas não trocavam muitas palavras, e das poucas que falavam um ao outro eram provocações. Mas Tom adorava ouvir o que “Flynn” havia aprendido com seus companheiros de couro e tinta negra da torre, e Oliver gostava de ouvir os problemas ridículos dos ricos, achava que tinha um tom até cômico neles. Não havia muito diálogo, existia sim monólogos, e vários deles. Não demorou muito para Carl e Ned, dois filhos-de-papai da mais fina estirpe, com egos maiores que o castelo, mas com pouca habilidade para apoiar a soberba aparecerem.

Os combates começaram e os dois nobres menores lutavam, Flynn observava atentamente enquanto Tom gritava falhas nas defesas deles.

- Carl, levanta esse escudo! Eu consigo ver até o seu pulmão daqui – Um golpe desajeitado de Ned acertou o oponente em suas costelas, mas com pouca força.

- Ned, se você tivesse girado o quadril e usado seu momentum com a sua espada, seu golpe teria conseguido mais força – Se manifestou Flynn, para o espanto dos nobres – Ajudaria ainda mais se você tivesse pulado também, você teria somado a força do seu peso e seria mais rápido em seus movimentos.

A luta parou, e o silêncio imperou no pátio. Os combatentes olharam para Tom, que não demonstrou nenhuma expressão. Visivelmente irritados os dois nobres começaram a se aproximar do garoto.

- Quem você pensa que é moleque? – Disse Ned com sua barba de puberdade decorando sua cara. Carl estava rindo discretamente da situação.

- Meu nome é Oliver, Flynn para amigos e Finnegan para vocês. Prazer, sou escudeiro de vocês faz 3 anos, presumi que já me conhecessem.

- E como escudeiro você deveria ficar quieto enquanto seus superiores lutam – Cuspiu Ned com os dentes cerrados.

- Se vocês não fossem tão ruins eu até ficaria em silêncio.

Assim que essas palavras saíram de sua boca, um punho fechado entrou na mesma. Oliver foi de encontro ao chão, o garoto não era conhecido pela sua paciência, e assim que sua face sentiu o contato da terra, seus ânimos se incendiaram. Levantou lentamente e disse:

- Você acaba de fazer uma burrada enorme Ned, mas vindo de você eu já esperava uma idiotice dessa – Disse Flynn babando sangue – Eu desafio você para um duelo. Semana que vem, no pátio da corte.

O nobre jogou a cabeça para trás e riu sem parar. Ele fez uma menção com a mão para indicar que aceitou o desafio, sua garganta ainda esta ocupada por ares jocosos. Tom encarou o servo com desaprovação profunda, Oliver sentiu o peso dos olhos de seu amigo, mas não estava com paciência para lidar com isso. Após o episódio, o garoto se enfiou na biblioteca, se ausentou de todas as suas obrigações, ia apenas para a torre dos tomos e voltava para os seus aposentos. Havia se tornado motivo de piada em todo o castelo, e o duelo não era sequer levado à sério pelos nobres, Oliver não era ignorante, sabia que perder provavelmente significaria sua morte, talvez por este motivo, Aerin tenha ido falar com ele, afinal poderia ser sua última chance.

Do alto do pedestal.

A escuridão impera em todo o castelo, exceto no quarto da pequena Aerin, onde uma pequena chama espanta as sombras e ilumina um livro que a princesa nunca havia visto, ela se pergunta o que um servo estava fazendo com livros tão estranhos. Runas, círculos e pentagramas estavam presentes em quase todas as páginas, a garota não tirava os olhos do tomo, e quando se concentrava bastante ela até achava que conseguia ler algumas palavras. Um dos manuscritos estava trancado, e não tinha fechadura, apenas uma gravação em espiral em sua capa. Sua cabeça lancinava de dor a cada vez que passava a mão no redemoinho, estava na hora de dormir, Aerin guardou os livros e se deitou. Amanha o dia seria muito interessante.

Assim que o sol tocou seu rosto, a garota saltou da cama e pôs-se a ler os livros novamente, dizendo as palavras em voz alta e até fazendo os gestos que estavam desenhados. Algo dentro dela inflamava ao dizer as palavras de poder, os movimentos lhe traziam harmonia, nunca havia sentido essa sensação. Tinha que saber mais sobre isto, a mente dela clamava por mais conhecimento. Pegou os livros e foi em direção a torre dos tomos, lá era o único lugar que poderia ter mais informações sobre seja lá que for isso.

O réquiem de Oliver Finnegan

O encontro entre os dois aconteceu no setor restrito da biblioteca na manhã do fatídico dia. Aerin não começou o diálogo com palavras, apenas apresentou os tomos da noite em que haviam se conhecido. Eram livros de magia, o terror mordeu o coração de Oliver.

- O que posso fazer por você Milady? – Disse o bibliotecário tentando mascarar o medo.

- Onde posso conseguir mais disso? – a condessa parecia bem resoluta em suas palavras.

Oliver não tinha muita expectativa de melhora. Olhou para a condessa e simplesmente jogou a chave do armário com os tomos mais preciosos na mesa próxima a eles e voltou a organizar sua mochila. Retirou um pequeno envelope de um dos seus bolsos e entregou para Aerin. A condessa ficou claramente confusa ao receber o pergaminho.

- O que você quer que eu faça com isso? – Disse a donzela examinando calmamente – Isso por acaso é uma carta de amor? Fico lisonjeada mas…

O bibliotecário tentou conter o riso mas falhou miseravelmente, não que isso importasse, não a veria mais se perdesse, e se ganhasse…

- Não Milady, é uma carta para o meu pai, queria que você entregasse para ele se algo acontecer. Não é nada demais, e com você me deve um favor ficaria agradecido se o fizesse.

- Que favor lhe devo? – Disse Aerin confusa.

Oliver simplesmente fez um gesto com sua cabeça indicando a chave em cima da mesa, e prosseguiu colocando os últimos livros e suprimentos dentro de uma mochila velha de couro. A condessa anuiu e guardou a carta em sua cinta de seda que envolvia seu torso. Uma energia estranha pairou no ar, o bibliotecário já havia terminado os preparativos, mas ainda mostrava as costas para a nobre.

- Você sabe com o que está mexendo milady? Sabe o quão perigoso isso é?

- Creio que não esteja em posição moral e nem social para me criticar – Se defendeu Aerin – Pelo que lembro-me, o vi colocando alguns livros de magia em sua mochila.

- Livro sobre magia não são contra a lei, livros mágicos são – Ainda de costas, Oliver cerrava seus punhos contra a mesa de madeira rústica – Eu sei que estava carregando eles, mas um servo ser acusado de bruxaria é uma coisa, agora uma condessa é um problema bem diferente.

- Se está preocupado não deveria ter me dado a chave deste armário escondido – Aerin caminhou e sentou em cima da mesa ao lado do interlocutor – Sei o que estou fazendo, com essa chave terei acesso a muito mais informação, não serei enganada.

- Duvido muito que realmente saiba o que está fazendo, não deixe sua prepotência de nobre tomar o melhor de você – Oliver finalmente foi de encontro ao olhar da condessa, os rostos estavam a apenas alguns centímetros um do outro, não havia movimento, o tempo parou e os dois se encaravam. Um sorriso silencioso brotou na cara de ambos.

- Seu nome é Oliver não é? – A nobre agora olhava para o teto e mexia suas pernas para frente e para trás – Poderíamos ter sido grandes amigos se tivéssemos nascidos em outras condições. Gostaria de sua ajuda para entender melhor os livros, pena que você…

- Talvez em outra vida Lady Aerin – interrompeu o garoto em um tom seco – Se cuide, e vê o que vai fazer com estes livros. Tenho um compromisso agora.

- Espere, esse grimório menor – Ela apresentou um dos livros da fatídica noite, ele era pequeno, com um pouco menos que 200 paginas e uma tranca que impedia a leitura – Não consigo abrí-lo, se puder, tente estuda-lo para saber o que tem dentro dele.

Oliver anuiu, pegou o pequeno grimorio selado e guardou dentro de seu colete, colocou a mochila nas costas, fez uma pequena reverência à Aerin, e saiu correndo em direção ao seu destino. Chegando próximo do lugar combinado para o duelo, o menino escondeu sua mochila com pertences em uma árvore, jogou a corda por cima de um galho, içou o compartimento para as folhagens, e prendeu a corda com uma estaca. Tendo sua rota de fuga preparada, ele entrou no jardim da corte.

Assim que pôs o pé no piso de mármore, já ouvia risadas e comentários.

“Que ousadia, como um plebeu tem coragem de falar assim com um nobre?”
“Tem gente que não sabe o próprio lugar mesmo.”
“Isto vai ser um espetáculo, mal espero para ver o moleque com o posterior dolorido.”
E uma fala que pôs o frio na espinha de Oliver.
“Estou ansioso para a execução depois da luta.”

O bibliotecário não hesitou em seus passos. Resoluto, abria o caminho na multidão com orgulho até entrar no circulo delimitado onde ocorreria o combate. Uma visão logo assustou o garoto, Ned estava sem armadura, sentado em uma cadeira de madeira fora dos limites da corda que dividia a arena do público. No cercado, um homem com um pouco mais de um metro e oitenta, com uma armadura completa e uma espada do tamanho do oponente.

Um escudeiro logo prendeu uma armadura de couro ao corpo do menor entre os participantes e deu uma espada de torneio em suas mãos. Aerin e seu pai assistiam, os preparativos com ansiedade até que, como de costume, o Conde pronunciou as regras para o combate.

- Em nome do Reino de Highwind, eu, Lorde Eastwind, proclamarei as regras do duelo que irá acontecer entre – um momento se passa para ler os nomes em um pergaminho – Oliver Finnegan, servo do castelo, leal a Highwind – Vaias dominam a plateia – e Ned Maximmus, filho de Inigo Maxximus, nobre leal a Highwind e Defensor da honra de Radiant Drake – Brados festivos povoam o local – De acordo com as regras, o desafiado Ned nomeou um campeão para lutar em seu lugar. Que a Dama …

- Espere! – Interrompeu o servo exasperado – Isto é contra o código – ouviu alguns gritos da plateia “Covarde” – Se tratou de uma ofensa pessoal, e neste caso, o ofendido tem que defender sua honra pessoalmente, de acordo com o código do cavaleiro!

Um murmurar se infiltrou na multidão, a cara de Ned estava tão vermelha que o menor corte poderia fazê-lo morrer de perda de sangue.

- Eu ainda não me tornei um cavaleiro – Urrou o ofendido – Logo não preciso seguir esta regra!
A multidão não se calava, o pai de Aerin parecia confuso, buscando com conselheiros o que fazer. Até que sua filha se levantou da cadeira e se pronunciou.

- Sim, Ned, é verdade. Você não se tornou um cavaleiro ainda. – A voz da condessa silenciou o público e flutuava na arena – Porém, é de bom senso que todos os aspirantes a cavaleiro devem seguir o código antes mesmo da unção. Portanto, está determinado que você mesmo deve se apresentar ao combate.
Ned urrou ainda mais, reclamou, esperneou, insistiu com o pai mas de pouco adiantava. Lorde Eastwind concordou, o gigante se curvou para os lordes e saiu da arena, um menino menor que ele, mas ainda muito maior que Oliver, tomou o seu lugar e foi rapidamente equipado.

- As regras do combate são simples – Continuou Lorde Eastwind – O primeiro a receber 3 golpes diretos ou cair no chão perde, a luta será travada com espadas de treino. Que a Dama Violeta e a Dama Vermelha estejam ao lado do vencedor e que tenham piedade do perdedor. Comecem!

O público estava quieto, mas Oliver ouviu um ultimo grito.

- Vai lá filhão! Deixa a bunda dessa almofadinha bem macia.

Risos estouraram ao longe, os plebeus estavam torcendo por ele, a notícia realmente se espalhou rápido.
Ned e Oliver se examinavam intensamente e circundava um ao outro. A forma do servo era boa, não impecável, viu Tom na plateia tentando corrigir a postura do amigo com os olhos, mas prestou pouca atenção. A forma de Ned era desajeitada, os pés pisavam de maneira brusca no chão, faltava a suavidade dos passos do bibliotecário.

De repente o nobre disparou em direção ao oponente, e fez chover aço em cima do inimigo. Os golpes desciam sem parar, mas todos encontravam apenas o aço intransponível da espada adversária. Foi então que Ned girou levemente e acertou a costela de Oliver que não pareceu tentar se defender daquele golpe. Aplausos foram ouvidos e xingamentos fora gritados ao atingido. A espadada foi igual a do treinamento.

- O golpe foi fraco Ned. O que eu falei para você?

O juiz validou o acerto, separou os dois e deu continuidade a luta.

- Deixa eu te mostrar como se faz seu merdinha! – Com um grito grave, o aço desceu sob o nobre que tentou aparar, com sucesso, a espada. Oliver deu um pulo e girando o quadril para um lado do torso, ganhou momentum o suficiente e acertou a costela de Ned com força. O adversário grunhiu de dor e mancou para o lado.

O juiz novamente confirmou golpe e repetiu o procedimento anterior.

- Isso é um golpe de verdade. – Disse Oliver olhando profundamente para os olhos desesperados de Ned – Um golpe de verdade debilita seu oponente.

Ao terminar a frase, o bibliotecário se jogou para cima do adversário novamente, a espada tentou acertar a direita do servo, mas com um simples giro ele havia escapado da estocada em seu ombro. Oliver tentou atingir a esquerda do adversário e falhou, porém quase que imediatamente, seu aço de distorceu no ar e desceu em seu ombro direito. O filho de Inigo, berra de sofrimento e luta para se manter de pé.
Por um momento o juiz hesita em marcar o ponto para o plebeu, mas Lady Aerin olha pesadamente para o arbitro, e ao perceber isso ele concede o golpe.

- Tá na hora de acabar com isso – O bibliotecário parte para sua ultima investida.

A arma de Ned tenta acertar a face de Oliver mas este esquiva-se torcendo a espinha e o pescoço para trás. A espada do servo se torna uma mancha cinza e o borrão prateado acerta em cheio a panturrilha do recém-derrotado. O oponente cai de costas no chão. Não existe aplausos, nem gritos de comemoração. O nobre agoniza no chão segurando a área acertada, o juiz não tem escolha e concede o ponto e a vitória ao plebeu. O silencio impera no jardim, Aerin e Lorde Eastwind não se manifestam, mas não tem problema, o plebeu parece que tem muito a dizer.

- Qual o problema? – Indaga comicamente Oliver – Vocês não estão estão entretidos? – Urra sem o sorriso no rosto – Não era isso que vieram ver? Seus palhaços de merda! – Sua face demonstra uma fúria que assusta todo o público, eles não ousam proferir uma palavra sequer – O resultado não era nada o que vocês esperavam, decepcionados? Esperavam que o nobre esmagasse o pobre plebeu, esperavam que ia ser engraçado. O cômico acabou se tornando trágico. Mas vocês deveriam ver suas caras agora! – O vencedor jogou a cabeça para trás com uma gargalhada – Impagável! Não tem dinheiro no mundo que compre isso, parece que a mãe de vocês deram um tapa na sua cara e tiraram seus doces, parece que sua puta preferida do bordel tava ocupada com outro cara! parece que seus maridos voltaram para casa antes da Phora e empacaram a foda com seu amante! – Oliver não ria mais sozinho, no fundo da plateia os outros plebeus xingavam alegremente e as gargalhadas apareciam – Vocês falam que são tão superiores, mas não passam de um bando de degenerados. Como vocês possuem a audácia de destratar outros seres humanos porque eles deram azar de não nascer com um sobrenome importante. Andam por ai como se mandassem no mundo, acham que tem o direito de ser um bando de escrotos só porquê a mãe de vocês dormiu com o cara certo. Não somos tão inúteis como pensam, podem nos subestimar, no final, serão surpreendidos. Demitam a guarda da cidade, porque os monstros estão bem aqui, e ninguém percebeu. Que batem nos servos, que pagam misérias, que não permitem que suas “ferramentas” sejam felizes. Pensem no que fazem seus imbecis, porque senão pensarem vão acabar como seu conterrâneo aqui, deitado e humilhado por um ser que consideram inferior. Eu não tenho mais nada para fazer neste lugar, adeus vermes e dejetos, desejo toda a bosta do mundo para vocês rastejarem a vontade nela.

O plebeu começa ir embora, o servos começam a gritar e a tumultuar, gritos de guardas são escutados. “Espere… não posso ir embora assim, tenho uma reputação a manter.”

Oliver de repente se virou para a plateia, levantou o dedo do meio e clamou:
- Aqui para vocês!

Uma mancha cinza se mexeu embaixo do nariz do rebelde, e por pouco não o acerta, mas rasga o colete dele e o grimório mágico cai no chão. Ned segura a adaga e se prepara para uma segunda investida, a multidão solta um grito estupefato.

“Magia!”
“Então foi assim que ele ganhou de um nobre!”
“Peguem o desgraçado!”

Rapidamente o bibliotecário bloqueia o segundo golpe do perdedor, torce a mão da adaga, pega a lâmina e vai em direção ao seu esconderijo. Para afastar o público, ele pega o grimório e balbucia algumas palavras na esperança de acreditarem que ele sabe alguma magia de fato. Funciona, o pânico se instaura, nobres se espalham e fogem, servos socam guardas na cara e Oliver corre em direção a árvore.
Com um ágil movimento da adaga ele rompe a corda e pega sua mochila enquanto cai da copa. Nem por um segundo ele para de correr, consegue se perder na multidão e chega finalmente ao portão lateral, mas ele não é o único.

- Aerin, Tom – Diz o fugitivo ofegantemente – Eu preciso…

- Nós sabemos – Responde Tom seriamente – Não sabia que você nos odiava tanto.

- Pelo amor de Violeta, Tom! Não foi para nós – Aerin corta seu prometido rapidamente – Só queríamos nos despedir.

Em um momento de calma, Oliver diz adeus a eles. E vai em direção à floresta.

- Sabe Tom, se eu tivesse nascido nobre, eu com certeza chutava sua bunda! – Disse Oliver suas ultimas palavras enquanto corria. A resposta não demorou para vir.

- Quem sabe em outra vida! – A voz de Tom ecoou pela planície.

O jovem finalmente mergulhou na floresta e começou a avançar entre as árvores sem diminuir o passo. Tinha que por uma boa distância entre ele e a cidade, sua aposta mais segura seria ir para o pé da montanha, não iriam perseguir ele tão longe, se tentassem poderia continuar fugindo para as montanhas e lá sabia que não seria achado. O garoto continuou correndo, e nunca mais ouviram falar de Oliver Finnegan.

Magnifico mundo novo, brilhante vida nova

O orvalho ainda estava fresco nas folhas da floresta quando Flynn começou a caçar sua comida do dia. O predador estava completamente imóvel em uma da árvores no pé da montanha, coberto por uma capa de folhagens. Animais pequenos passaram perto dele, mas o caçador queria presas maiores, com seu arco em mãos e uma visão privilegiada do topo da árvore, aguardava com uma tranquilidade absoluta. Finalmente uma corsa apareceu entre os troncos, andou alguns metros e começou a se alimentar do capim ali presente. Flynn esticou a corda do arco com um rápido movimento do braço e liberou-a em uma fração de segundo. A flecha proveniente da arma atingiu a jugular do animal, que pôs-se a correr em um ritmo frenético, porém ela já estava morta.

O predador pulou rapidamente de galho em galho com uma leveza sobre-humana e acompanha a presa em uma corrida, a corsa pelo chão e o jovem pelas árvores. Uma parede de pedra interrompe a rota de fuga do animal que tenta desviar para a direita, o arco assovia mais uma vez e mais uma flecha brota no posterior da atingida. O animal cai no chão exausto e resignado e o caçado desce das copas para realizar o golpe de misericórdia.

Flynn prepara a comida tranquilamente enquanto lê os livros que gosta mais uma vez. Logo após a refeição se põem a escrever no seu caderno, escreve sobre seus afazeres, lugares que descobriu, mapas, ruínas e até quantas vezes leu seus tomos. Já faz um ano que está nos pés da montanha, e agora quase se sente em casa, seus dias se resumem a explorar e descansar. Ao anoitecer costuma acender uma fogueira na beira de um precipício e fica admirando as estrelas enquanto pensa sobre si mesmo.
Oliver pode ter morrido, mas nunca foi tão bom estar vivo.

Acertando as contas

As consequências da confusão que Oliver não foram duradouras, claro, ele nunca mais poderia voltar para Radiant Drake e estava sempre na boca do povo, mas as manifestações plebeias foram rapidamente esmagadas e a vida continuava na pacata cidade. Ned foi considerado o vencedor do duelo, todos acharam que o bibliotecário trapaceou, mas isso não impediu que o único homem que ainda pensava no incidente pegasse ainda mais pesados nos treinos. Tom mastigava os acontecimentos em sua cama, era tarde da noite já. Mesmo dois anos tendo passado desde o incidente, agora com 18 anos havia sido ungido cavaleiro na noite passada. Suas responsabilidades mudariam, não era mais criança, graças a sua posição social e a diversas peripécias políticas de seu pai, se casaria com Aerin em breve, provavelmente no ano seguinte. Estava mais interessado entretanto em um privilégio específico que teria, como cavaleiro e prometido da futura condessa ele poderia investigar casos da guarda. Amanhã ele iria começar a procurar mais informação sobre o amigo desaparecido.

“Será que ele realmente praticava magia?” – Pensou Tom sentado em seu leito enquanto retirava o resto de suas roupas para se deitar.

“Naquela luta ele com certeza não utilizou magia pelo menos.” O homem suspira e se deita, amanha ele daria início a suas investigações. Sabia onde deveria começar, na torre dos tomos. A verdade aparecerá, é só uma questão de tempo.

Runas, luzes e bruxaria

Já havia se tornado um hábito, Aerin pegava um pedaço de giz e riscava runas no chão de se quarto perto da hora das bruxas. Dizia as palavras de poder do grimório antigo, fazia os gestos indicados e observava suas marcações. No começo pouca coisa ocorria, mas três anos depois de tanto treino, o giz brilhava com um azul intenso e os resultados estavam se tornando ainda mais provocadores.
A futura condessa tinha poucos interesses em assuntos do reino, e pelo que sabia no próximo mês casaria com Tom. Não era um desastre total, ele era bonito e forte, daria um bom marido, mas nunca ligou muito para homens, os livros de magia sempre foram muito mais sedutores que qualquer par de braços. Já tinha lido todos os tomos do armário escondido na biblioteca, passava suas noites misturando runas e magias, afim de chegar a alguns resultados. Conseguia agora utilizar pequenas invocações como globos de luz, raios de gelo e até projéteis de força, mas ansiava por mais, e naquela noite ela conseguiria.

Depois de desenhar algumas runas no chão, experimentou palavras de poder diferentes, elas clamavam por mais força, por uma oportunidade de se provar. Seu chamado foi respondido, as runas brilharam e água começou a surgir de seu centro como uma pequena fonte, porém para a surpresa de Aerin, a agua começava a se comportar de maneira caótica. O líquido empilhava em cima si mesmo como se quisesse se consumir e começava a tomar a forma de um humanoide, ou pelo menos a parte de cima de um.

- Lorde Aquerius o saúda Aerin – Diz a massa de água – Vim para responder ao seu chamado e atender ao seus pedidos.

Aerin estava completamente espantada, não esperava que isso saísse de uma de suas runas. E com toda a certeza não sabia o que dizer, para um Elemental da água. Já havia lido sobre esse tal de Aquerius e sobre elementais, mas não possuia um vasto conhecimento sobre o assunto, só sabia que Lorde Aquerius era muito poderoso.

- Você é Lorde Aquerius? – Disse enquanto fazia uma reverência – Como sabe meu nome?

- Não, sou apenas um de seus servos. Quando se experimenta com magia por tanto tempo não fica difícil descobrir coisas sobre você – o Elemental não demonstrava emoção alguma e sua voz não oscilava nem por um momento – Você deseja mais poder, mais magia, correto? Meu mestre pode lhe ajudar com isso.

- E qual seria o preço disso?- Aerin estava um pouco insegura da situação.

- Não pediremos sua alma nem nada parecido, mas pediremos seu apoio. Lorde Aquerius necessitará de sua ajuda no futuro, tudo o que deve fazer é atender o chamado. – A massa de água começou a analisar os arredores sem interromper seu discurso – Sempre que Lorde Aquerius pedir ajuda você deve atender. Não se preocupe não a chamaremos para assuntos levianos.

- É isso, quando seu mestre me chamar, devo ajuda-lo? – a água anuiu – Muito bem, eu concordo com os termos, e agora?

- Você deve se encontrar com uma das manifestações de Lorde Aquerius para finalizar o pacto – o Elemental olha para a porta de repente – Teremos companhia, vá para o este local entre as montanhas na próxima lua cheia, lá concluiremos o pacto. – O Elemental deixou as palavras Lago Kiev escrito em agua no chão.

A porta abre com um estrondo e Tom entra no quarto sozinho e sem nenhuma cerimônia, bem a tempo de ver o elemental de água se desmanchando no chão.

- Eu sabia que era você, eu só não quis acreditar… Minha prometida metida com magias… – Disse Tom assustado com as runas que ainda brilhavam no quarto da nobre.

- Como ousa entrar em –

- Calada, em nome da guarda de Radiant Drake, você está presa Aerin Eastwind. – Disse Tom pegando a corda em seu cinto.

“Não mesmo.” Pensou Aerin. Com uma mão atrás de suas costas começou a fazer pequenos gestos com sua mão invocando uma magia básica que seria bem útil no momento. “Essa magia é complicada, preciso enrolar ele.”

- Antes, eu quero que você me diga como descobriu que eu estava usando magias. – Disse Aerin – Eu mereço pelo menos isso.

Tom demonstrou um pequeno sorriso em seu rosto como se estivesse esperando essa pergunta.

- Não foi tão difícil, demorado, mas não difícil. Oliver nunca foi do tipo que se envolvia com magias, ele é inteligente demais para isso, mas também era curioso demais para não ler sobre o assunto. – O cavaleiro anda de um lado para o outro se tirar os olhos de Aerin. – Mas ele seria esquecido o suficiente para não ter colocado em sua mochila de fuga se tivesse recebido recentemente. Você foi vista saindo da biblioteca com um livro quando na verdade você entrou com dois. Confirmando minha teoria, o pai de Oliver me informou que vocês se viram logo depois da luta para entregar uma carta a ele. Como se isso não bastasse, Oliver tinha uma das chaves de um dos armários restritos da biblioteca, ele levou embora chave dele, mas a frequência com que os livros eram retirados daquele armário continuou mesma e só seu pai tem a original daquela chave. Isso significa que o número de leitores não havia mudado.

Isso pegou Aerin de surpresa, seu pai tinha a cópia da chave? E todo tempo ela pensou que era a única com a chave, isso quer dizer que seu pai também poderia estar mexendo com magia? Mas Tom ainda não havia terminado.

- Porém para isso ter acontecido, vocês tinha que ter ao menos se encontrado antes. Oliver sempre assinava em sua ficha de ponto, quantos livros tinha retirado, e em uma noite ele informou que tinha retirado dois livros. Somando isso com o dos outros dias, ele tinha nove livros em sua posse, em seu quarto foram encontrados sete volumes que ele tinha de devolver a torre, faltando apenas dois que nunca foram registrados de volta. E isso foi justo na semana que você começou a mudar seus hábitos. Eu suponho que você tenha pedido a ele ou simplesmente tenha encontrado os livros em algum lugar, quem sabe até ter trombado com ele. O que importa é que ainda tem um livro em sua posse e eu tenho o número de registro dos dois livros que sumiram, se um desses números bater com o do seu livro, eu tenho provas concretas conta você.

O tempo foi o suficiente. Aerin sentia-se mais leve e começava a se aproximar da janela.

- Você acertou em quase tudo. Mas nada mal Tom, é uma pena, estava ansiosa para o nosso casamento, mas vai ter que esperar! – Aerin se jogou da janela aberta, mas ao invés de cair em direção a sua morte como deveria ser, a donzela deslizava lentamente no ar em direção ao chão – Adeus Tom! – Ao aterrissar, a nobre sumiu entre as ruas esquinas da cidade.

Tom correu em direção ao parapeito da janela e observou toda a cena. Declarou dezenas de maldições, mas sabia que tinha a perdido. Olhou para o chão onde tinha runa principal, e viu inscrições dentro dela.

“Lago Kiev.” Tom sorriu.

- Dessa vez você não me escapa!

Um pouco de sabedoria

O ar frígido das montanhas batia contra a pedra dos altos picos próximos ao céu. Uma pessoa com farrapos por roupas, barbada e com longos cabelos malcuidados surge de uma das grutas do topo da terra. A figura ajeita a mochila em suas costas e começa a fazer a descida por um caminho que conhecia muito bem, um ano e meio morando no pico acostumaram-no a esse ritual. Depois de uma longa caminhada, chegou ao seu primeiro ponto de descanso, um grande lago entre as montanhas. Tirou algumas frutas de sua mochila, se alimentou, e encheu a água de seu cantil, feito isso, seguiu viagem. Demorou dois dias para chegar na borda da floresta que rodeiam os picos, e foi rapidamente fazer sua missão.

Foi se lembrando de todos os bons momentos que passou entre essas árvores, definitivamente teve uma boa vida no meio de todo este verde. Checou suas armadilhas e ficou satisfeito com o rendimento: seis coelhos, uma corsa e um filhote de porco-do-mato. Rearmadas todas as arapucas, o andarilho resolveu cuidar dos preparativos para a conservação das carnes. Matou suas presas, removeu a pele cuidadosamente e salgou a carne para a preservação. Agora só faltava reabastecer novamente seu cantil e pegar mais frutas perto do rio para subir e voltar a sua solidão que tanto gostava. A pequena figura chega no leito aquático, ajoelha-se e começa a encher o cantil com uma calma ímpar até que é interrompido.

- Olá, eremita. – O homem estava em cima de um cavalo e vestia um tabardo azul por cima de uma armadura completa. – Pode dizer-me como faço para chegar no Lago Kiev?

O andarilho olha para cima, termina de encher seu cantil, levanta, se arruma e só então responde.
- Claro senhor, mas receio que esse seu cavalo não conseguiria subir nem metade da trilha – o eremita analisava o cavalo calmamente -, mas se você deixa-lo aqui eu posso mostrar um caminho bem rápido. Também pretendo subir a mesma trilha daqui a pouco, faremos companhia um para o outro.
O nobre concordou, desceu do cavalo e com um simples gesto de sua mão a montaria havia desaparecido.

- Tome a frente meu caro, temos uma longa caminhada pela frente.

- Tudo bem amigo, tenho suprimentos e temos tempo.

- Que bom que temos suprimentos – O paladino pausou por um momento – mas creio que tempo é uma coisa que não tenho.

- Hm? Qual o motivo da pressa? – Indagou curiosamente o selvagem enquanto liderava o caminho e oferecia uma fruta ao visitante.

- Uma amiga minha está prestes a cometer um erro muito grande. – Tom aceita o pêssego e se põe a devora-lo imediatamente.

- Amiga? Normalmente respeitamos os erros e decisões de nossos amigos. Tem certeza que são só amigos? – As botas do guia pisam nos primeiros degraus de pedra da trilha.

- Bem é… é complicado. – O nobre fica visivelmente corado – se dependesse de mim seríamos mais do que isso…

- Pessoas são bem complicadas mesmo, mas meu amigo, o amor é simples. Espero que você e sua dama se entendam logo. Agora chega de falar, guardemos nosso folego para a subida.

A trilha continuava por horas a fio, existiam poucos pontos de descanso e o paladino insistia constantemente para acelerar o passo. A pressa foi tanta que antes da hora das bruxas já haviam chegado no lago. Não tinha mais ninguém no local, apenas os dois viajantes, o paladino começou a rodear o lago em busca de algo enquanto o eremita apenas acendeu uma fogueira utilizando um pouco de mágica enquanto o cavaleiro não via. Deu longos goles em seu cantil e se preparou para descansar em um saco de dormir.

Tom voltou depois de algumas voltas no lago com o seu cavalo e estava visivelmente preocupado.

- Qual seu nome meu caro? – perguntou o paladino sentando-se perto da fogueira.

- Meus amigos me chamam de Flynn. – Disse o andarilho. – E o seu?

Tom ficou pensando durante um tempo e estranhou profundamente a situação. “Hm… não deve ser nada, Flynn é um nome comum, não pode ser ele…” – Tom, meu nome é Tom. – O cavaleiro agora olhava atentamente para o rosto do eremita do outro lado da fogueira, mas estava difícil ver detalhes de sua face. – Você sempre viveu aqui?

- Não, já morei em outros lugares, mas isso é tudo que irei falar do meu passado amigo. Existe muitas coisas nele que me envergonham. Espero que você entenda.

- Muito bem. – Suspirou o nobre, insatisfeito com a resposta, mas sabia que um interrogatório direto não iria adiantar nada aqui. – Preciso apenas saber se você viu alguém aqui nas redondezas recentemente.

- A última pessoa que eu vi foi a cerca de dois meses atrás. – O eremita deu mais um longo gole no cantil e ofereceu-o ao viajante enlatado. – Essa dama sua, sumiu faz quanto tempo?

- Um pouco mais de três dias, eu só sei que ela estaria aqui.

- Qual o porquê dela vir em um lugar tão recluso da sociedade? – O eremita estava cada vez mais curioso sobra a situação do cavaleiro.

- Digamos que ela se meteu em uma enrascada com magia. – Tom desistiu de ver a face do andarilho e agora olhava fixamente para o lago. – Ela estava conversando com um Elemental de água quando eu entrei no quarto dela.

- Você acha que sua amiga fará um pacto aqui? Faz sentido. – Flynn agora estava olhando para a mesma direção que o paladino. – Aqui é um local de forte energia. E dizem que os pactos mais poderosos acontecem sob a luz da lua cheia. Não perca a esperança amigo, ela aparecerá, se ela tomou a trilha normal, deve chegar aqui um dia antes da lua cheia. Descanse, temos quatro dias antes de ela chegar e cinco até a lua cheia. Boa noite, Tom.

O eremita deitou em seu saco de dormir e alguns segundos depois já estava em um sono profundo. O nobre por outro lado não conseguia dormir, não conseguia parar de pensar em Aerin, ele não a conhecia muito bem, mas admirava sua beleza e estava particularmente ansioso para o casamento, uma pena que as coisas iriam acabar assim. O paladino eventualmente descansou.

No dia seguinte, o andarilho havia sumido, tinha apenas alguns suprimentos, livros e um recado:

“Não se preocupe comigo, estou por aí, na noite do quarto dia nos encontramos, decidi que vou ajuda-lo.
Ass: Um amigo”

Os dias passaram e o paladino não via nem um sinal sequer do viajante que o acompanhou. Acampado na beira do lago, Tom devorava um dos tomos que seu novo amigo havia emprestado para ele, um volume curioso sobre elfos e sua relação com a natureza, com lendas e folclores de druidas que nasciam de árvores.

No segundo dia, leu sobre o comportamento e origem de bestas mágicas como a Displacer Beast, de acordo com o livro, magos que se utilizavam muito de uma magia em específico, começavam a se tornar bestiais. A magia consumia a mente e alma do usuário até que a insanidade tomava conta. Nesta noite foi difícil dormir, pensava em Aerin, afinal ela podia se tornar uma delas.

No terceiro dia, resolveu pegar um tema um pouco mais familiar à ele. O tomo da batalha: o livro das nove espadas era uma leitura muito interessante e um volume ausente na biblioteca de Radiant Drake. Leu sobre os Cruzados, um grupo de cavaleiros fortes e voltados para a disseminação de seus ideais, sobre os Sábios da espada um tipo de espadachim que associava grande destreza com conhecimentos secretos de sua ordem. Tom ficou impressionado, seria uma honra enfrentar qualquer um desses em combate, e saber sobre suas origens e técnicas o surpreendeu.

No quarto dia não leu nada, apenas esperou o eremita voltar. E quando apareceu foi abordado imediatamente por Tom.

- Flynn, eu nunca lhe falei meu nome. – Disse Tom triunfante. – Mas isso não lhe impediu de fala-lo na outra noite. É você, Oliver, não é?

- Me perguntava quanto tempo você iria demorar para perceber – o andarilho abriu um grande sorriso – , mas Oliver morreu. Meu nome é Flynn WildStride agora, seu apelido pegou no final das contas. Eu até deixei fácil para você.

Os dois riram juntos, como nos velhos tempos. Tom atualizou tudo sobre Aerin e Flynn escutou calmamente, sem mudar seu semblante. Contou-lhe sobre sua investigação, sobre como desvendou o mistério e sobre a chave do pai de Aerin. Foi então que o rosto do eremita se enrijeceu.

- A chave que Aerin possui é minha. – Disse Flynn com um rosto preocupado – Isso significa que tem mais alguém mexendo com magia naquele castelo, no caso o pai dela.

- Pela Dama Violeta, isso é terrível! – O paladino se levantou em um salto. – O que faremos agora?

- Primeiro livramos Aerin do perigo – o aventureiro ergueu-se – , depois discutimos isso. Talvez ele procure por Aerin – Flynn retirou o mesmo tomo que o levou para fora da cidade de seus trapos -, ou talvez procure por isso.

- Ele está aberto? Estranho, eu vi vários papéis no quarto de Aerin que fizeram menção a um livro trancado, eu imaginei que ele estaria com você.

- Ele está, é o próprio, eu consegui destrancar quando o coloquei em um pedestal em uma ruína élfica, mas as páginas estão em branco então não adianta de muita coisa. – Flynn folheou rapidamente para demonstrar para seu amigo.

- Estes anos devem ter sido uma aventura e tanto, porque você não me conta mais sobre eles?
Flynn entrega um livro para ele e fala:

- Irei dormir agora, mas neste livro tem todas as minhas aventuras, foi realmente muito bom esses anos. Amanhã a noite temos que impedir a invocação, descanse bastante.

Flynn subiu a montanha e se enfiou em sua gruta, e o paladino foi descansar. Ambos conseguiam sentir a presença de Aerin por perto. Ela podia estar escondida em qualquer lugar, procurar seria inútil, um clima de tensão pairava no ar, todos os três estavam em uma encruzilhada, e amanha o destino final seria decidido.

No quinto dia, leu um livro de aspecto rústico que lhe foi dado na noite passada, aparentemente um diário. Nele, a pessoa descrevia uma séria de aventura e desventuras na selva. Era um volume enorme e fascinante, um conto muito interessante foi quando o narrador encontrou uma dríade, os dois estavam discutindo quem deveria ficar com a carne de um cervo morto, a floresta ou o viajante. No final o viajante leva a carne clamando que agora ele também faz parte do bosque, então se a comida ficar com ele, na verdade também ficara com a mata. A dríade fica feliz com a solução e ambos deixam um ao outro de bons espíritos.

Em outra história, um centauro e um elfo brigavam por não saberem o caminho para a cidade mais próxima. O eremita chegou com muita arrogância dizendo a trilha mais rápida, mas foi solenemente ignorado, o narrador não tentou reconcilia-los e sim coloca-los na direção certa. Depois de muita discussão, os amigos se separaram, ambos eram companheiros de longa data, o andarilho lamenta e diz que se os tivesse feito a fazer as pazes eles iriam para qualquer lugar, mas juntos.
Tom não parava de ler diversos relatos, como o que o elemental de pedra tem medo de esquilos e o narrador ajuda a superar a fobia do monte de pedras. Eles até mês ousam roubar as nozes no final do dia, e riem muito sobre o assunto. Uma pequena nota de rodapé no fim da página diz: A felicidade só é completa quando compatilhada.

O volume contava com muito mais relatos: Batalha de rimas com uma Bruxa do mato; Uma noite com a elfa das estrelas; Como sobreviver a um ataque de fadas; Achando uma toca de halfling; Dançando com lobisomens; Fugindo de harpias 2, Lago Kiev; Apagando um incêndio natural; Unindo uma família de gnomos do mato; Drogas naturais e seus efeitos na fauna local; e um dos preferidos de Tom, O unicórnio feio e o golem da lagoa azul.

A noite cai, o paladino parou de ler e Flynn apareceu ao seu lado, com cabelo cortado, sem barba, com roupas bem feitas e com sua espada e arco. Do outro lado do lago uma figura encapuzada aparece. Todos os atores estão em cena, a hora do espetáculo chegou.

Tempestade

Assim que Aerin apareceu do outro lado, um cavalo se materializou ao lado de Tom que subiu imediatamente e puxou Flynn para as costas da besta. Em menos de 5 minutos havia, contornado todo o lago e prestes a caírem sobre a invocadora, mas muita coisa havia acontecido nesse meio tempo. As águas calmas do Lago Kiev estavam agitadas começavam a se acumular no meio do leito. Aerin gesticulava incessantemente, runas e símbolos mágicos apareciam no ar, fios de água rodeavam a maga e ficavam cada vez mais grossos, alguns pequenos elementais de água surgiam dos círculos.

“Maldita, provalvemente preparou tudo na noite anterior enquanto estava escondida em alguma gruta.” Pensou Flynn saltando do cavalo e acertando as massas disformes de água que estavam entre ele e Aerin.

Um escudo de água se formou ao redor da maga, que agora estava profundamente concentrada, com seu olhar para o centro o lago. Tom e seu cavalo se aproximavam ferozmente da adversária, pisoteando todos os lacaios da mesma. Porém ao chegar perto da maga, um tentáculo aquático brotou do escudo e golpeou o paladino, levando-o ao chão enquanto os servos da maga se enroscavam nos músculos do cavalo formando uma grande bolha de água.

Tom, com sua espada dispersava as monstruosidades em seu caminho. Flynn por outro lado, havia sacado o arco, por um momento o tempo parou, se concentrou profundamente e fez a flecha assoviar. O projétil foi defendido por lacaio aquático que pulou contra ele.

Aerin regia as ondas como uma maestra, cada movimento mostrava ainda mais seu poder. Um grande estouro foi ouvido do fundo do lago, um pilar do líquido se lançou no ar e tomou uma forma aterrorizantemente grande.

- VIM EM NOME DE LORDE AQUERIUS – A voz era como se o trovão apunhalasse o céu, começou a chover imediatamente. – É VOCÊ QUE ME INVOCA LADY AERIN?

- Sim! Vim terminar o pacto que comecei! – Com um movimento da mão esquerda ela lançou o cavalo de Tom e sua prisão de água, em cima de seu dono. A explosão gera ainda mais monstros. Isso tudo sem se desconcetrar. – Fale seus termos Elemental!

- VOCÊ JURA LEALDADE A LORDE AQUERIUS E RESPONDER AO SEU CHAMADO QUANDO FOR CONVOCADA? – O céu tremia, e o arco de Flynn assovia uma vez mais, mas o escudo reflete por completo sua flecha – EM TROCA, VOCÊ RECEBERÁ PODER E CONHECIMENTO PROVENIENTE DE SEU NOVO MESTRE, CONCORDA COM OS NOSSOS TERMOS?

- Flynn! Socorro! – Tom estava quase se afogando quando o aventureiro cortou os lacaios com sua lâmina. – Precisamos de um jeito de acertar ela, mas aquele escudo de água não deixa.

O tempo parou mais uma vez, Flynn reparou em um detalhe muito importante: O escudo tinha uma quantidade limitada de líquido, e sempre que um tentáculo aparecia, do lado oposto o escudo era fino.

- Tive uma ideia Tom! Cada um ataca por um lado ! Vamos flanqueá-la!

De repente um brado vem de dentro da bolha:

- Eu concordo!

E o monstro responde:

- OS TERMOS FORAM DEFINIDOS, OFEREÇA SEU SANGUE COMO TRIBUTO E COMPLETE O PACTO!

Não havia tempo, a dupla corria ignorando todos os servos e investiram um contra o outro, com Aerin no meio de ambos. Porém é pouco útil, um tentáculo de cada lado da bolha agarra os atacantes e os erguem no ar. Flynn consegue visualizar o escudo fragilizado, e com um esforço hercúleo consegue sacar o arco enquanto flutua em uma coleira de água a mais de 7 metros de altura. E ele assovia mais uma vez, e o projétil finalmente mergulha na carne de Aerin em seu ombro.“Pulmão e talvez fígado, ela não vai conseguir continuar o ritual!”Os tentáculos se desmancham e a dupla cai no chão. Aerin cai de joelhos e tenta pegar um punhado de sangue para jogar ao elemental. O líquido vermelho cai na margem do lago, mas longe do alcance das águas. A maga cai inconsciente.

- TOLOS! NÃO INTERFIRAM!

Uma torrente de água atinge os combatentes e os jogam contra a parede. Tom bate a cabeça contra as rochas e uma explosão vermelha aparece atrás de sua cabeça. O paladino mal consegue levantar a arma, mas consegue correr.

- Flynn, eu distraio ele, pegue Aerin e fuja! – O cavaleiro esquivava dos tentáculo e corria ao redor do lago.
Quando Flynn tentou se aproximar da maga inconsciente foi golpeado por um tentáculo e acertou os pedregulhos mais uma vez. O bolso de sua jaqueta começou a se aquecer, foi então que retirou o fatídico tomo que o condenou da ultima vez. O livro flutuou esse posicionou na frente do rosto do eremita, folheou a si mesmo rapidamente até que parou em uma pagina em branco. Mas não demorou muito para letras roxas começarem a aparecer dentro do livro.

Flynn já não tinha mais esperança, viu Tom sendo jogado mais uma vez em direção a parede e mais uma mancha vermelha decorando os arredores do lago. Levantou puxou seu arco e começou a ler o tomo.

- Vóis que vem das profundezas escutai-me! – Um brilho vermelho e roxo começou a surgir na ponta de sua flecha. – Reconheceis suas faltas e arrepende-te, pois o pós vida é misericordioso, mas minha punição: Fogo e desfação, não carregam essa glória! – O projétil assoviou acertando enorme elemental em seu rosto, causando uma enorme explosão que deformou a criatura.

- QUE TIPO DE BRUXARIA É ESSA?! – Urra o montro, lutando para se reformar.

- Aceitas teu destino com dignidade e venha receber seu arrependimento em agonia! – Mais uma flecha corta o ar e estoura um dos braços do elemental. – Sou o terror de todos os demônios, manifestações do elemento e aberrações que se escondem debaixo deste céu. Sou a glória divina!

A terceira flecha acerta o corpo do elemental que luta para se manter composto. O braço restante do monstro se estica e captura seu agressor. E o coloca perto de seu suposto rosto, o grimório flutuante acompanha seu dono mesmo perto do perigo

- MORTAL INSOLENTE! – A aberração de repente fica de cor escarlate e começa a rir. – SANGUE FOI OFERECIDO, O PACTO ESTÁ COMPLETO! – Ao olhar para baixo Flynn vê um pequeno riacho sanguíneo saindo da ferida de Aerin e mergulhando no lago. Ira toma controle das emoções do derrotado.

- Eu sou a vitória e tu és derrota! Eu sou o Julgamento e tu és o Julgado! – Flynn fora lançado para cima e agora bradava todas as palavras enquanto caia com a espada em mãos em direção a cabeça do inimigo. – Tu és a moléstia e eu sou a cura!

O elemental olhou para cima tarde demais.

- Dama Violeta me dê forças! – O tomo brilhava com uma enorme intensidade – Eu sou a Luz Violeta!

Assim que a espada de Flynn acertou a cabeça do emissário de Aquerius, um imenso pilar de energia púrpura desceu dos céus e atingiu ao mesmo tempo em que a arma. O monstro explode e água se espalha ao redor do local.

Não existe mais manifestações de elemento, nem lacaios, nem tentáculos, somente calmaria.

Calmaria

Flynn socorreu os amigos, felizmente nenhum deles estava em perigo mortal, mas não haviam conseguido evitar o pacto. O andarilho ajudou seus companheiros da melhor forma possível, bandagens aqui e ervas ali, mas não estava preparado para isso. Na manhã do dia seguinte, Aerin e Flynn acordam.

- O que aconteceu? – Indagou Aerin

- Nada, não conseguimos evitar o pacto. – Cuspiu Flynn. – Agora você pertence a Lorde Aquerius.
Aerin se assustou com a presença de Flynn, ela não o via a quase 4 anos. E de repente lá estava ele, cuidando dela.

- Como você…

- Tom veio impedir você de realizar um erro. Mas falhamos.

Aerin abraça seu salvador forte.

- Obrigada, mas eu sei muito bem o que eu estava fazendo. – Disse Aerin se afastando rapidamente do abraço. – Eu só devo me apresentar quando ele precisar de mim, mas agora que já tenho o que quero, não preciso seguir as ordens dele.

- Aerin… Você fez um pacto de sangue com ele, ele pode controla-la se assim quiser. Seu livre arbítrio para fazê-lo seria somente uma conveniência.

- Como assim? Eu li vários livros exatamente para não acontecer algo do gênero. – Incerteza começava a flutuar em sua voz. – Para ele poder me controlar seria necessário a absorção de um dos lacaios dele.

- Com o tempo você irá se tornar um desses lacaios, sua alma pertencerá a Aquerius em seu devido tempo. – Flynn começava a acordar Tom com pontapés. – Agora de pouco adianta discutir. Ele pode encontra-la quando quiser através de seu sangue e enviar um lacaio para te possuir.

Aerin começou a soluçar e lagrimas escorriam em seu rosto. “Tola, tentei enganar um Elemental e olha o que aconteceu.” Tom acorda e mais uma conversa tem início, o trio tem poucas opções de ação.

- Temos que nos separar. – Disse Flynn. – Não podemos ficar carregando Aerin por aí, é muito perigoso.

- Eu não sou uma criança e não sou inofensiva sei me virar – a nobre se levanta do chão ainda aos prantos -, parem de me tratar como coitada, eu tenho poder agora! Posso me defender sozinha.

- Calma Aerin! – Disse Tom tentando desarmar a confusão. – Só estamos preocupada com você, sabemos que é forte, mas não somos páreo a esse desafio!

- Vocês são fracos! Não eu, eu me tornei forte, e vou atrás de Lorde Aquerius sozinha!

- E fará o que? Me espanta você fazer o pacto se saber suas repercussões, mas agora não é a hora de deixar a soberba e a incerteza dominarem você. – Flynn estava se aproximando dela.

- Se afaste de mim! – Com um gesto, uma nuvem branca começa ao seu redor. – O que está acontecendo?- O desespero toma conta de Aerin, ondas mágicas começam a ser emitidas ao redor dela. – Eu invoquei algum tipo de feitiço sem querer!

- Aerin, o feitiço já foi invocado. Já li sobre isso, é uma magia de teleporte! Pense em um lugar que você conhece! – Flynn tentava acalma-la.

Depois de alguns momentos de concentração e controle de suas emoções, a nobre volta a falar. – Vou para a casa de meus parentes em Highwind. Vou me esconder, não me sigam! – Em seguida seu corpo desapareceu. Não havia mais nada. Tom se ajoelhou e perdeu o controle de seus sentimentos, o garoto chorava sem parar e lutava para manter a compostura.

- Flynn, eu vou atrás dela. Não posso deixa-la sozinha, mesmo que seja mais forte que nós. – Disse o paladino ajoelhado no chão.

- Vá, ela precisa de ajuda, ela precisa de você. Ela está assustada e não vai assumir que precisa de alguém nesse momento. – Flynn pega uma mochila e entrega a Tom – Eu irei atrás de Lorde Aquerius e pesquisar maneiras de desfazer o pacto deles.

- Então vamos. – Concordou Tom se levantando do chão e enxuga as lágrimas.

Uma verdadeira aventura começará agora. Os protagonistas estão prontos, podem não se conhecer ainda, as estão preparado. Senhoras e senhores tomem seus lugares, espetáculo vai começar.

Flynn WildStrider

Loucura e Magia - Obsessão andre_atassio